The Intercept

Diretor da associação de peritos federais critica “perícias” de Folha e Estadão: “achismo”

23 May 2017 - 5:05pm

A polêmica do momento sobre a gravação da conversa entre o presidente Michel Temer e o ruralista Joesley Batista é a possibilidade de adulteração do áudio. Grandes jornais contrataram peritos que, 24 horas após a liberação do áudio, já tinham batido o martelo não apenas sobre o fato de haver edições, mas inclusive sobre quantas seriam: são um total exato de 50, ou de 14, ou nenhuma… Tudo depende do jornal que se estiver lendo. Temer, é claro, usou o maior número noticiado em seu pronunciamento de sábado.

O perito federal André Morisson é diretor da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais desde 2015. Antes disso, foi chefe por 11 anos do Serviço de Perícias em Audiovisual e Eletrônicos do Instituto Nacional de Criminalística, exatamente o setor que agora está analisando a gravação entregue por Joesley ao Ministério Público. Ao telefone, Morisson comentou sobre a corrida de jornais por contratar peritos que, no dia seguinte, já batiam o martelo sobre o áudio:

“Eu te asseguro que nós, peritos federais, jamais daríamos qualquer opinião em 24 horas, porque é um período incompatível com o exame que se precisaria para analisar devidamente o material.”

O especialista explica que uma análise desse calibre leva tempo, tecnologia de qualidade e mão de obra especializada. “As pessoas acham que um exame desses pode ser feito em tão pouco tempo, que é só ouvir e perceber… isso é achismo, não é emprego de técnica e de ciência”, critica Morisson, que diz ter ficado surpreso quando viu as capas dos jornais: “para mim, ficou claro que era um tempo muito curto para afirmações tão pesadas”.

Em comparação, ele explica que um áudio de meio minuto e com boa qualidade de gravação leva de 3 a 5 dias para ser devidamente analisado. Como a qualidade da gravação feita por Joesley é muito baixa e o tempo de duração é longo, o perito estima que sua análise dure “não menos do que três semanas”.

Briga de cachorro grande

Na sexta-feira, 19, o jornal Folha de S. Paulo afirmava categoricamente existirem 50 edições no áudio. Já o jornal O Estado de S. Paulo afirmava existirem 14 edições no áudio. A rádio CBN, das organizações Globo, que teve parte de sua programação captada pelo gravador de Joesley, afirmou inicialmente que o conteúdo da gravação coincidia com a programação da rádio — indicando não haver edições na gravação — mas depois voltou atrás, afirmando haver uma diferença de pouco mais de 6 minutos entre o gravado e o transmitido.

No fim de semana, o restante da família Globo subiu para o ringue: o Jornal Nacional e o jornal O Globo deram matérias criticando o perito contratado pela Folha de S. Paulo e, no domingo, o Fantástico selou a briga. “Ricardo [Caires dos Santos] costuma se apresentar como perito do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas é apenas um prestador de serviços eventual da Justiça, sem nenhum vínculo com o Tribunal”, afirma o texto divulgado no site do programa.

As matérias veiculadas ainda afirmam que ele teria usado um software caseiro (Audacity) para analisar o áudio e que, após procurado pela equipe de O Globo, o profissional contratado pela Folha — que se apresenta como especializado em espionagem e como corretor de imóveisnegou haver 50 pontos de edição e disse não se considerar capaz de apontar a minutagem dos pontos de edição. No dia seguinte, a Folha deu uma nova matéria dizendo que o perito negava a nova versão, divulgada pela Globo. “Não é verdade”, teria respondido Santos sobre as acusações da Globo.

Temer usou a matéria da Folha como base de seu pronunciamento, no sábado, 20, para se defender das acusações de prevaricação:

“Registro que eu li hoje notícia do jornal Folha de S. Paulo de que perícia constatou que houve edição no áudio de minha conversa com o senhor Joesley Batista. Essa gravação clandestina, pelo que diz, foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. E, incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil.”

Temer afirmou ainda que entraria com pedido de suspensão do inquérito no Supremo Tribunal Federal. Um dia depois, porém, na segunda feira, 22, o presidente desistiu de pedir a suspensão. Já a JBS sustenta desde sexta, 19, que o áudio está intocado. A Procuradoria Geral da República (PGR) afirmou, por meio de nota, que “foi feita uma avaliação técnica da gravação e concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente” e que “sua autenticidade poderá ser verificada no processo”.

Os próximos passos

Na segunda, 22, a PGR encaminhou o áudio para a Polícia Federal iniciar a perícia. A PF, por sua vez, pediu que Joesley entregue o gravador usado, para análises. O Ministério Público foi alvo de críticas na internet, por ter divulgado e anexado o áudio aos processos sem antes passar por uma perícia policial, apenas por análise oitiva. Morisson explica que isso faz parte do modus operandi de investigações que correm em segredo de justiça:

“Como passou na lógica contextual, é natural, nessa fase, a perícia ser requisitada. Numa fase judicial se faz, sim, a exigência da perícia, mas em fase investigativa é facultativo. Temos que ter em mente que, dependendo do sigilo da informação, o Ministério Público fica num ponto em que se pergunta se solicita a análise técnica ou se segue com sigilo. Pode existir, por exemplo, o risco em realizar a perícia e talvez vazar. É uma sinuca de bico.”

Ele explica que uma análise dessas envolve, basicamente, três etapas. Na primeira, se escuta a gravação avaliando se a conversa tem um sentido lógico e coerente. O MP já decidiu que sim. A segunda etapa é um perito especializado escutar a gravação para analisar os demais elementos ou “eventos” captados: o som do rádio, os ruídos e distorções que podem ser do próprio gravador, o som do ambiente etc.

A terceira etapa envolve análises virtuais. O áudio é destrinchado por softwares e algoritmos que analisam o espectro de som: um conjunto de gráficos que medem as ondas de som capturadas. Nessa etapa, cabe ao perito analisar os índices do espectrograma em cada milissegundo da gravação, explica Morisson:

“O perito  conhece os parâmetros do algoritmo e a  frequência do espectro do som ao longo do tempo, que tem um comportamento esperado. Caso tenha descontinuidade, pode ser uma edição de incremento ou de supressão. Ao mesmo tempo, quando esse comportamento não é o esperado, também não é automático que se entenda como uma edição. Primeiro o perito vai procurar entender se existe uma causa natural.”

 

Exemplos de gráficos de espectrogramas, utilizados para análise das ondas sonoras captadas por um gravador.

Ainda nesta fase, o gravador usado por Joesley passará por simulações a fim de verificar se o aparelho é capaz de produzir as distorções e os ruídos que atrapalham o entendimento completo da conversa. A defesa de Temer já está utilizando a qualidade do equipamento como argumento para invalidar a prova. “Causa estranheza que uma gravação dessa importância tenha sido feita com um gravador tão vagabundo”, afirmou o perito e professor da Unicamp, Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer, sem explicar qual seria o modelo do aparelho utilizado. Molina afirmou que o áudio é “imprestável”, que a gravação está “contaminada por tanta descontinuidade” e que, por isso, não poderia ser usada como prova.

Morisson, por outro lado, explica que a decisão sobre a utilidade da gravação como material probatório não cabe nem ao perito, muito menos à defesa:

“O trabalho da perícia é relatar os trechos contínuos, não nos cabe dar juízo de valor, também não cabe aos advogados. Essa mensuração é papel do juiz. É o juiz que vai dar o peso à prova, baseado nas informações periciais e nos demais itens do conjunto probatório.”

No caso de Temer, caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir.

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British Intelligence Warned Tony Blair of Manchester-Like Terrorism if the West Invaded Iraq

23 May 2017 - 4:58pm

Former British Prime Minister Tony Blair has yet to say anything about Monday’s heinous, nihilistic suicide bombing at an Ariana Grande concert in Manchester, England. According to current reporting, the attack has been claimed by ISIS and was carried out by a 22-year-old man born in Manchester to Libyan refugees.

But when Blair does speak, we can be certain he won’t mention one key fact: Before the 2003 invasion of Iraq led by the U.S. and U.K., he was forcefully and repeatedly warned by Britain’s intelligence services that it would lead to exactly this type of terrorist attack — and he concealed these warnings from the British people, instead claiming the war would reduce the risk of terrorism.

We know this because of the Chilcot Report, the seven-year-long British investigation of the Iraq War released in 2016. The report declassifies numerous internal government documents that illustrate the yawning chasm between what Blair was being told in private and his claims in public as he pushed for war.

On February 10, 2003, one month before the war began, the U.K.’s Joint Intelligence Committee — the key advisory body for the British Prime Minister on intelligence matters — issued a white paper titled “International Terrorism: War With Iraq.”

It began:

The threat from Al Qaida will increase at the onset of any military action against Iraq. They will target Coalition forces and other Western interests in the Middle East. Attacks against Western interests elsewhere are also likely, especially in the US and UK, for maximum impact. The worldwide threat from other Islamist terrorist groups and individuals will increase significantly.

And it concluded much the same way:

Al Qaida and associated groups will continue to represent by far the greatest terrorist threat to Western interests, and that threat will be heightened by military action against Iraq. The broader threat from Islamist terrorists will also increase in the event of war, reflecting intensified anti-US/anti-Western sentiment in the Muslim world, including among Muslim communities in the West. [emphasis added in both cases]

The same report concluded that Saddam Hussein’s Iraq “would aspire to conduct terrorist attacks against Coalition interests” only in the event of an invasion. Moreover, “authoritative reporting suggests that Iraqi Intelligence (DGI) has little reach or [terrorism] capability outside Iraq.”

Specifically regarding WMD terrorism, the JIC elsewhere judged that Iraq “would be unlikely to undertake or sponsor such terrorist attacks,” that the threat of it if Iraq were not invaded was “slight,” and that there was no “credible evidence of covert transfers of WMD-related technology and expertise to terrorist groups.”

Tony Blair’s case for war, as most clearly expressed in his March 18, 2003 remarks in the House of Commons, essentially turned all of this on its head. The possibility, Blair said, of terrorist groups obtaining WMD from a state like Iraq was “a real and present danger to Britain and its national security.”

“The real problem,” Blair proclaimed, “is that, underneath, people dispute that Iraq is a threat, dispute the link between terrorism and weapons of mass destruction, and dispute, in other words, the whole basis of our assertion that the two together constitute a fundamental assault on our way of life.” Blair did not mention that the people disputing this included his own intelligence services.

Then Tam Dalyell, a Labor MP from Scotland, asked Blair this key question:What could be more calculated to act as a recruiting sergeant for a young generation throughout the Islamic and Arab world than putting 600 cruise missiles — or whatever it is — on to Baghdad and Iraq?”

Blair did not reveal the explicit warnings from the JIC that exactly this would happen. No, he told Dalyell, “Unless we take action against [Al Qaeda], they will grow. That is why we should act.” Terrorist organizations wouldn’t be motivated, as the JIC had told him, by an invasion of Iraq, because their true motivation was that “they detest the freedom, democracy and tolerance that are the hallmarks of our way of life.”

Blair’s stunningly fraudulent case for war carried the day, 412-149. The current British Prime Minister Theresa May, then a Conservative front bencher, voted for it. Labour Party leader Jeremy Corbyn voted against.

Then exactly what the JIC had predicted occurred. Fifty-two people were killed in July 2005 when four suicide bombers — three of whom were British-born — carried out attacks on the subway and a bus in London. One of the killers taped himself stating that they were killing their fellow citizens because Western governments “continuously perpetuate atrocities against my people all over the world.” In a separate tape another said, “What have you witnessed now is only the beginning of a string of attacks that will continue and become stronger until you pull your forces out of Afghanistan and Iraq.”

Two months ago, a British-born Muslim convert murdered four people with a car on Westminster Bridge, then got out and stabbed a policeman to death. Just minutes before his killing spree he declared via WhatsApp that he was acting in revenge against Western wars in the Mideast.

Emergency response vehicles are parked at the scene of a suspected terrorist attack during a pop concert by Ariana Grande in Manchester, England on May 23, 2017.

Photo: Paul Ellis/AFP/Getty Images

And now we have the slaughter in Manchester. ISIS has declared that the attack was carried out “in order to terrorize the polytheists, and in response to their transgressions against the homes of the Muslims.”

In her testimony before the Chilcot inquiry, Baroness Eliza Manningham-Buller, head of MI5 at the time of the Iraq invasion, explained all of this:

Our involvement in Iraq radicalized, for want of a better word … a few among a generation … [who] saw our involvement in Iraq, on top of our involvement in Afghanistan, as being an attack on Islam.

An increasing number of British-born individuals … were attracted to the ideology of Usama Bin Laden and saw the West’s activities in Iraq and Afghanistan as threatening their fellow religionists and the Muslim world.

If British officials had read the JIC’s warnings, Manningham-Buller said, they could “have had no doubt” that this was likely to happen.

So did Blair read the intelligence, specifically the February 2003 paper on international terrorism?

He absolutely was aware of it, Blair told the inquiry, “but I took the view then and take the same view now that to have backed down because of the threat of terrorism would be completely wrong.”

But of course this was just another brazen misrepresentation by Blair. He had not taken “the view then,” at least in public, that invading Iraq would increase the risk that Britons would die in terrorist attacks, but it would be somehow worth it. Instead he had claimed that they would be at greater risk without a war, because if left alone Saddam Hussein would enable WMD-armed terrorism.

Asked how she saw this perspective, Manningham-Buller told the inquiry that “It is a hypothetical theory. It certainly wasn’t of concern in either the short-term or the medium-term to my colleagues and myself.”

In the end, the most plausible explanation of Blair’s motivation is simply that he was willing to sacrifice the lives of British citizens so that the U.S. could continue running the world with the U.K. holding its coat. Richard Shultz, a professor of international politics at Tufts who’s long been a key national security state intellectual, wrote in 2004 that “A very senior [Special Operations Forces] officer who had served on the Joint Staff in the 1990s told me that more than once he heard terrorist strikes characterized as ‘a small price to pay for being a superpower.’”

The victims of the Manchester bombing, among them an 8-year-old girl, are that small price.

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Após Temer rejeitar renúncia, deputados pressionam para que PEC da eleição direta seja analisada

23 May 2017 - 3:06pm

Diante da reiterada negativa do presidente Michel Temer em renunciar em meio à grave crise política, um grupo de congressistas pressiona a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para que seja votada o quanto antes a proposta que garante eleições diretas em caso de vacância da Presidência nos dois últimos anos do mandato. A Constituição determina que o Congresso faça uma eleição indireta caso o presidente deixe o poder neste período. Mas a Proposta de Emenda à Constituição 277/2016, do deputado Miro Teixeira, prevê que a escolha do novo presidente seja feita pelo povo. Há uma máxima antiga que não existe espaço vácuo na política. Uma vez ferido, Temer começa a perder apoio dentro de sua própria base aliada, o que pode abreviar em sua queda para antes de 2018.

A discussão da PEC 277/2016 vem ganhando força nos últimos dias após as revelações feitas pelos empresários da JBS e sobre o presidente. Desde a última quarta-feira, depois da divulgação do áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, a Câmara recebeu pelo menos 8 pedidos de abertura de impeachment assinados por partidos políticos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pretende apresentar um novo pedido nos próximos dias.

O argumento usado por oposicionistas é que o Congresso Nacional não teria credibilidade junto à população para eleger indiretamente o presidente da República. Agentes políticos e econômicos observam com atenção o desenrolar da crise, temendo que uma paralisia do Congresso impeça a continuidade de votações como a das reformas da Previdência e Trabalhista.

The Intercept Brasil conversou com o professor Argemiro Martins, especialista em Direito Público da Universidade de Brasília, para entender os rumos dessa proposta. Segundo o professor apenas com eleições diretas o Brasil poderia sair da crise política. Ele ressalta que o atual Congresso, composto por dezenas de políticos investigados, não teria legitimidade para escolha do novo presidente e defende que o povo, principal afetado pela crise, decida sobre os rumos do país.

“Caso a escolha do novo presidente não se dê por via direta, seja qual for o nome que ocupar um mandato tampão até 2018, ele terá um problema sério de crise de legitimidade.”

The Intercept Brasil: Como o senhor avalia a proposta do deputado Miro Teixeira (PEC 277/2016) para eleições diretas no Brasil?

Argemiro Martins: A PEC busca uma adequação do artigo 81 da Constituição Federal para que preveja eleição direta em até 90 dias, no caso de vacância do cargo nos dois últimos anos do mandato.

A legislação eleitoral, modificada em 2015, estipulou a seguinte regra: no caso de decisão da Justiça Eleitoral para cassar uma chapa eleita, o que pode vir a ocorrer com Temer, teria que haver eleição direta. Essa modificação na legislação é questionada em duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN’s) no Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, a PEC visa constitucionalizar isso [a eleição direta], até para acabar com qualquer dúvida de que possa haver eleição direta na hipótese bastante plausível de que Michel Temer venha a cair.

TIB: Eleições diretas ou indiretas para sair da crise, qual o melhor caminho?

Martins: Do ponto de vista político e institucional, considero as eleições diretas a melhor saída para a crise. Para tentarmos estancar essa crise, penso que a melhor alternativa sejam eleições gerais tanto do Congresso quanto do chefe do Poder Executivo. Caso a escolha do novo presidente não se dê por via direta, seja qual for o nome que ocupar um mandato tampão até 2018, ele terá um problema sério de crise de legitimidade. Isso seria um prolongamento da crise. Com eleição direta, pode ocorrer uma tentativa de solução. Mas isso é tudo no campo das hipóteses, porque os riscos que estão sendo colocados no campo político são grandes, os desafios são enormes.

TIB: O sr. vê no julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral uma saída para a atual crise política?

Martins: Pelo que se começa a projetar, talvez o desfecho da atual crise possa ocorrer no julgamento no TSE. Ali há a possibilidade de ocorrer a cassação da chapa e, por consequência, do mandato do presidente Michel Temer.

No entanto, algo que me preocupa é que tudo isso ainda tenha que passar pelo STF, o que caracteriza um aspecto meio preocupante da nossa política atualmente. Estou falando da judicialização da política e seu inverso, que é a politização do Judiciário, que nunca esteve tão poderoso para decidir questões cruciais da esfera política quanto hoje.

Isso me causa preocupação, porque a ideia de uma solução de uma crise política desta gravidade passar por um esfera que não é a política, mas o poder judiciário, ou o TSE em especial.

TIB: Há legitimidade no atual Congresso para conduzir um processo de eleição indireta?

Martins: Quando é falado que precisamos aplicar a literalidade do artigo 81 da Constituição, realmente o que se diz é que [em caso de vacância da Presidência] nos dois últimos anos se faz eleição indireta. Isso é uma norma constitucional que tem que ser vista sob o ponto de vista da legitimidade. E a legitimidade é o que falta neste Congresso como um todo.

“Precisamos de um novo Congresso e um novo presidente com respaldo e legitimidade eleitoral do povo brasileiro.”Nessa atual conjuntura reafirmar a Constituição sem uma análise de conteúdo ou de legitimidade dos agentes políticos é falacioso. Justamente nessa condição, quem deve decidir sobre essa crise são os afetados por ela, ou seja o povo brasileiro.

A Constituição não deveria ser vista apenas como aplicação de regras, pura e simplesmente. Ela se apóia em um contexto político, inclusive bastante grave, que estamos passando hoje. Para superarmos essa crise que estamos vivenciando hoje, precisamos de um novo Congresso e um novo presidente com respaldo e legitimidade eleitoral do povo brasileiro.

TIB: Em caso de novas eleições o senhor vislumbra algum nome forte para assumir e unificar o país?

Martins: Com a iminente queda do governo Temer, o bloco de poder que o sustentava rachou. Então começam a surgir os mais variados nomes. Em tempos de crise não faltam soluções das mais estapafúrdias possíveis.

Em qualquer eleição os candidatos serão identificados com algum grupo político ou econômico, por isso acho que uma eleição direta seja o melhor caminho. Seja qual for a identificação desse candidato, caberia ao povo referendar o nome, e não uma elite político/empresarial, ainda mais num contexto de crise política como o nosso.

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To Deepen Our Investigative Journalism, We’re Asking for Reader Support

23 May 2017 - 12:12pm

I have spent most of my adult life reporting from war and conflict zones around the world and on the front lines of social justice struggles in the United States. As a young journalist for Democracy Now! in the 1990s, I reported from Iraq, the former Yugoslavia, and Nigeria. After 9/11, I knew the Bush administration was going to target Iraq, and I began reporting regularly from Baghdad. In the aftermath of Hurricane Katrina, I came across Blackwater mercenaries in New Orleans, prompting a decadelong investigation into the role private contractors play in U.S. wars and disaster profiteering. Under the Obama administration, I investigated the drone program in Yemen and Somalia, the role of U.S. special operations forces in Afghanistan, and the embrace of some of the most secretive and lethal forces in the CIA and military. That reporting became a film and book, “Dirty Wars.”

I never went to journalism school; instead, I learned reporting as a trade. I have always believed that journalism should be accessible to all and real reporting requires getting dirt under your fingernails. It was in that spirit that I embarked on a partnership that led to the creation of The Intercept.

I will never forget sitting with Glenn Greenwald on his porch in Rio de Janeiro with a dozen dogs barking, monkeys jumping through trees, and the two of us reading top-secret documents provided by NSA whistleblower Edward Snowden. It was on that porch that we began discussing what would become The Intercept. Glenn, Laura Poitras, and I had been talking for some time about collaborating, and with multiple U.S. wars raging and the Snowden revelations raising public awareness about the dangers of government surveillance, we decided to make a run at creating our own news organization.

We were blessed to have a partner in Pierre Omidyar who believed in our mission and committed to making it real. Without his generous financial support, none of this would have happened. We also knew that as we built and grew, we would need to cultivate other funding sources. The Intercept is now at an exciting moment in its short history. We are breaking major stories every week on a range of issues and expanding our areas of coverage. But to sustain this work and deepen our investigative journalism, we are asking for the support of our readers.

We’d like to invite you to become a member of The Intercept.

I believe the notion of “objectivity” as it has been defined in U.S. journalism is bullshit; it is often used as a euphemism for bias toward the views of the powerful. I believe that great journalism boils down to a few key principles:

  • Hold those in power accountable, regardless of their political or corporate affiliations
  • Give voice to the voiceless
  • Provide people with information they can use to make informed decisions
  • Be transparent with your readers about how you know what you know
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If you agree with these principles and believe in the core mission of The Intercept, we want to welcome you to become a sustainer of our journalism. Your support will enable us to bring on more journalists, conduct aggressive investigations of both Democrats and Republicans, expose U.S. wars, and be a force for social change. The very principle of a free press is under assault from the most powerful office in the country. The president of the United States has suggested journalists should be imprisoned for reporting on his administration. Reporters are being killed across the world in record numbers. The stakes are very high in the U.S. and around the globe. The hard-hitting, aggressive, adversarial, independent journalism we do at The Intercept could not be more urgently necessary than it is now. And we need you to keep it going and to grow.

We have been so moved and humbled by the outpouring of support we’ve received since we started our membership campaign. More than 1,000 people signed up to support our work on the first day, and we encourage you to join them.

We want to welcome you to The Intercept community and we promise not to let you down.

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Homeland Security Hires Anti-Islam Activist Katharine Gorka as Trump Makes Overtures to Muslim States

23 May 2017 - 12:07pm

Donald Trump made overtures towards the Islamic world during his visit to Saudi Arabia, softening his outward stance on Islam, but his administration has given a temporary appointment to a recognized anti-Muslim campaigner.

Katharine Gorka, a controversial national security analyst and anti-Muslim activist, has been named as a temporary adviser to the Department of Homeland Security’s chief of staff, after serving on President Trump’s transition team for the department. During Barack Obama’s presidency, Gorka extensively criticized DHS for teaching employees — wrongly, in her view — that Islam is a religion of peace.

Gorka’s new appointment is listed in documents obtained under the Freedom of Information Act by the watchdog group American Oversight. Her title, as of April 7, is listed as “advisor” to the office of the chief of staff, with a “schedule c appointment” — meaning her appointment is for 120 days, with a possible extension. Her pay grade is listed as GS-15, the highest standard pay for a federal civil servant, indicating a salary of at least $8,600 a month.

With much of its top brass vacant, Trump’s Department of Homeland Security has relied on temporary appointments to fill its ranks. So far, the Senate has only confirmed two positions — the department secretary and deputy secretary — leaving 14 Senate-confirmable positions vacant, and Trump has yet to even nominate assistant secretaries to lead ICE and the TSA. The documents obtained by American Oversight list more than 60 employees with temporary “schedule c” appointments.

Gorka’s appointment would not require Senate confirmation to be made permanent.

In this undated photo, Katherine Gorka and her husband Sebastian Gorka attend the Liberty Ball.

Photo: LobeLog

Gorka is the wife and frequent collaborator of Sebastian Gorka, the embattled deputy assistant to the president who has come under fire for ties to far-right groups in Hungary. Sebastian Gorka, the former national security editor for Breitbart News, has called profiling Muslims “a synonym for common sense,” and, like his wife, has accused mainstream Muslim civil rights organizations like the Council on American-Islamic Relations (CAIR) of using “subversive tactics” and of having ties to Hamas and the Muslim Brotherhood.

Before joining the Trump transition, Katharine Gorka was a contributing author to Breitbart, the far-right site favored by white nationalists. In one 2014 column, she wrote that when “Presidents Bush and Obama both publicly declared Islam to be a religion of peace” it “struck a sour chord for many,” and that “American and Western leaders have preemptively shut down any debate within Islam by declaring that Islam is the religion of peace.”

In a 2014 column, she wrote in defense of five Republican members of Congress who claimed in 2012, without evidence, that Muslim extremists had infiltrated the federal government, and that Hillary Clinton’s aide, Huma Abedin, had ties to the Muslim Brotherhood. The allegations were denounced as Islamophobic conspiracy theories even by other Republicans.

Gorka claimed that the New York Times “provided proof of Muslim Brotherhood influence” after it published a story on the lobbying influence of Persian Gulf monarchies like Saudi Arabia. But far from being connected to the Muslim Brotherhood, the gulf states largely view the group’s brand of populist, political Islam as a threat. The Saudi government previously banned Muslim Brotherhood activism — even designating the group a terrorist organization in 2014.

In 2014, Gorka also pushed legislation sponsored by Rep. Michelle Bachmann, R-Minn., to designate the Muslim Brotherhood a terrorist organization. The legislation listed mainstream Muslim civil rights organizations in the United States as “affiliates” — groups like the CAIR and the Islamic Society of North America.

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Empresa em Malta reforça elo entre José Dirceu e esquema envolvendo a compra da Oi

23 May 2017 - 11:31am

Em agosto de 2015, policiais federais encontraram um manuscrito no escritório do irmão do ex-ministro José Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, com nome e dados bancários de uma empresa: a Mediterranean Oil & Gas Consulting Limited. A firma, criada em Malta, pode representar mais uma ligação entre duas operações de combate à corrupção: a brasileira Lava Jato e a portuguesa Marquês. Como pano de fundo deste elo, está o bilionário negócio da compra de parte das ações da Oi/Telemar pela Portugal Telecom, em 2010.

Os dados dos registros públicos, que estão incluídos nos Malta Files, revelam que a Mediterranean Oil & Gas foi aberta em abril de 2013, então com o nome de Serra Consulting Limited, pelo advogado português João Fernando Abrantes Serra. Se nos documentos da Lava Jato, é um manuscrito que liga o irmão de Dirceu a Abrantes Serra, na Operação Marquês, os laços se mostram mais consistentes.

As investigações do Ministério Público português apontam que repasses de 30 mil euros mensais, feitos entre março de 2011 e julho de 2014, ao escritório de Abrantes Serra teriam, na verdade, como destino final Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e seu irmão José Dirceu. O valor suspeito chega a 1,230 milhão de euros. As revelações foram feitas pelo jornal Observador, em março deste ano.

O dinheiro saiu do grupo ligado ao Banco Espírito Santo (BES), também investigado na Operação Marquês por interesses em negócios da Portugal Telecom. Segundo o Observador, para o MP de Portugal, “não há dúvida” de que os pagamentos para o advogado Abrantes Serra “reverteram em benefício de José Dirceu para alegadamente compensar as suas intervenções junto das autoridades brasileiras a propósito do negócio de compra de uma participação de 22,4% na Oi/Telemar”.

Ao todo, 25 pessoas estão na mira dos procuradores no processo, que já levou inclusive à prisão do ex-primeiro-ministro português José Sócrates por quase um ano.

Abrantes Serra teria sido a grande ponte entre o então executivo da Portugal Telecom Henrique Granadeiro e José Dirceu, graças à boa relação que o advogado português tinha com ele e seu irmão, como noticiou, em 2015, reportagem do jornal português Público. E o objetivo dos pagamentos seria uma retribuição pela ajuda no Brasil do ex-ministro – ainda influente nos bastidores do mundo político, mesmo tendo deixado o cargo em 2005 ­– na obtenção de apoio junto aos órgãos reguladores brasileiros e ao BNDES para a concretização do negócio entre a empresa portuguesa e a Oi/Telemar.

A reportagem enviou perguntas para a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Portugal a respeito do atual andamento das investigações envolvendo Abrantes Serra, mas o órgão informou que não pode se manifestar porque o processo está em segredo de Justiça. Em dezembro do ano passado, o advogado foi arguido pelo MP, acusado de fraude fiscal e tráfico de influência. Ser arguido é um termo do direito português que significa que há indícios de que aquela pessoa cometeu um delito. Nos próximos meses, a Justiça deverá analisar se há consistência para que seja aberto um julgamento ou se o caso deve ser arquivado.

Fechada em julho de 2010, a compra dos 22,4% de ações da Oi pela Portugal Telecom atingiu a cifra de 3,7 bilhões de euros. O negócio, porém, acabou sendo uma espécie de operação casada, envolvendo a venda pela empresa portuguesa de sua participação na Vivo para a espanhola Telefónica, por 7,5 bilhões. Ou seja, ao todo, foram movimentados 11,2 bilhões de euros.

Ilustração: Raquel Cordeiro

Em 2013, firma especializada em esconder sócios assume empresa

Em relação à empresa aberta em Malta, os documentos dos registros públicos do país mostram que, em setembro de 2013, a Mediterranean Oil & Gas Consulting Limted teve todas as suas ações repassadas pelo advogado Abrantes Serra e por uma parente, Isabel Maria Pimentel Abrantes Serra, para uma empresa local chamada MGI Fiduciary Services Limited.

Em seu site, a MGI explica o diferencial do serviço que oferece: “apesar de a identidade dos sócios estar disponível no registro público de Malta, ações podem ser mantidas de forma confidencial em favor de nossa empresa de serviços fiduciários e de trust”. Ao todo, há 204 firmas no país europeu que têm a MGI como sócia.

Empresas como a que assumiu a Mediterranean Oil, chamadas de trustees, ficaram conhecidas no Brasil, graças ao caso envolvendo o ex-deputado Eduardo Cunha, atualmente preso em Curitiba. Em 2015, ele afirmou à CPI da Petrobras não ter dinheiro no exterior, alegando que era apenas o beneficiário de um trust. Esse tipo de sistema funciona como uma espécie de cofre onde os recursos passam a ser administrados por terceiros. O instituidor, que é o verdadeiro dono, pode, porém, encerrar o contrato e fazer uso dos recursos quando quiser.

Os documentos que constam no registro de Malta mostram que a Mediterranean Oil está atualmente em processo de dissolução . O que não impediu a firma de, no ano passado, por exemplo, ter movimentado altas quantias. Somente em benefícios pagos aos sócios, foram 382.200 euros. A legislação do país europeu impõe uma taxa de 35% de impostos às empresas. A vantagem, porém, está na baixa taxação dos recursos que são distribuídos aos sócios, o que resulta num valor final que, na prática, chega a apenas 5%.

A reportagem entrou em contato com o advogado Roberto Podval, que representa José Dirceu e Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e com o escritório de João Abrantes Serra, mas não obteve nenhum retorno até o momento da publicação.

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Com passaportes caribenhos, doleiros de Cabral abriram firmas em Malta meses antes de virarem delatores

23 May 2017 - 11:31am

Em janeiro deste ano, a Operação Eficiência, desdobramento da Lava Jato no Rio, desvendou novos capítulos do esquema de propina que girava em torno do ex-governador Sérgio Cabral. Após assinar acordo de delação premiada, os doleiros Marcelo e Renato Chebar admitiram ao Ministério Público Federal (MPF) que abriram contas no exterior que somavam US$ 100 milhões, relacionadas ao grupo de Cabral. Pouco tempo antes, porém, os operadores financeiros seguiam firmes em suas atividades, num pequeno país europeu que parece ainda estar distante do foco das investigações. Registros públicos revelam que os irmãos abriram duas empresas em Malta, em junho e setembro de 2016. E o mais curioso: ao criar as firmas, usaram números de passaportes das ilhas caribenhas de São Cristóvão e Neves.

As informações vêm dos Malta Files, o registro público de empresas no país e mais de 150.000 documentos vazados da empresa maltês Credence Corporate & Advisory Services, especializada em serviços legais, financeiros e corporativos. Estão sendo publicadas por The Intercept Brasil e Agência Sportlight em parceria com a rede European Investigative Collaborations (EIC).

As empresas dos irmãos Chebar são as mais recentes criadas em Malta por personagens citados nas investigações da Lava Jato. Mas há nos registros públicos do país pelo menos outros cinco nomes. Duas grandes empreiteiras, a Queiroz Galvão e a Odebrecht , abriram filiais por lá nos últimos anos. Um dos três principais acionistas da Andrade Gutierrez, Sérgio Lins Andrade, também aparece relacionado a duas firmas criadas em 2015.

Primeiro réu da Lava Jato este ano, por suposto pagamento de propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o empresário Mariano Marcondes Ferraz teve negócios em Malta entre 2007 e 2009. Citado em investigações do MPF em 2015 por repasses e recebimentos vultosos a empresas ligadas ao esquema da estatal, o engenheiro Mário Ildeu de Miranda também abriu, em janeiro de 2016, uma firma no país europeu.

O que se vê na maioria dos casos é que as empresas são criadas em Malta com o auxílio de companhias locais especializadas neste tipo de serviço. No caso dos irmãos Chebar, por exemplo, a responsável foi a Fenlex Corporate Services, que atua em parceria com um escritório de advocacia, o Fenech & Fenech. Marcelo aparece como sócio da Apui Holdings LTD, fundada em setembro de 2016, e Renato, da Regulus Holding LTD, criada em junho do mesmo ano. Além de apresentar números de passaportes de São Cristóvão e Neves, a dupla declarou às autoridades de Malta residir em endereços em Lisboa. Os delatores estão em Portugal respondendo ao processo.

As delações dos irmãos Chebar foram um dos principais pilares da Operação Eficiência, que culminou com a prisão do empresário Eike Batista por suposto pagamento de propina a Sérgio Cabral, por meio de um contrato fictício e pagamento no exterior. Nas movimentações financeiras citadas pelos doleiros em seus depoimentos, há referências a Suíça, Luxemburgo, Bahamas e Uruguai como rotas do dinheiro ilegal. Assim como Malta, esses países são considerados válvula de escape de recursos seja pela ausência de transparência como pelo sistema de tributação privilegiado.

Entre 2007 e 2013, os Chebar também tiveram uma offshore no Panamá, incorporada pelo escritório de advocacia Mossack & Fonseca: a Wadebridge. Nesses registros, porém, eles apresentaram passaportes brasileiros. Os dados constam no acervo de quase 12 milhões de arquivos do escritório de advocacia que foi obtido pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e deu origem à série Panama Papers.

Veja as personagens na galeria acima.

Empreiteiras com rede de offshores

Diferentemente das pessoas físicas, que em geral abrem as firmas com apoio de empresas especializadas de Malta, as grandes empreiteiras brasileiras têm filiais que levam inclusive o mesmo nome no país. O interessante é notar que entre os sócios de duas dessas companhias aparece quase que uma rede de offshores em paraísos fiscais.

A Odebrecht, por exemplo, criou, em maio de 2012, a Odebrecht Solutions Malta Limited. Seus dois sócios são a Tenenge Overseas Corporation, sediada nas Ilhas Cayman, e a Odebrecht Solutions Inc, das Bahamas. Já a Queiroz Galvão International Construction Company, fundada em agosto de 2007, tem como sócias a Guararapes International LTD, a Skycrest Overseas Inc e a Timbauba International LTD. As três empresas estão registradas num mesmo endereço nas Ilhas Virgens Britânicas.

Ainda há nos registros públicos de Malta a Odebrecht Construction Malta Limited e a Odebrecht Engineering & Construction Limited. Os documentos indicam que essas empresas estão relacionadas com os negócios da empreiteira em Portugal, já que firmas e executivos que trabalham no país estão ligados a elas. Segundo ex-executivos da Odebrecht, o setor de operações estruturadas da empresa, responsável pelo pagamento de propinas, usava offshores para fazer operações no exterior. No entanto, não há qualquer citação às empresas abertas em Malta.

Apesar de a Andrade Gutierrez não ter uma filial em Malta, Sérgio Lins Andrade, um dos três maiores acionistas, abriu em dezembro de 2015 a Ceres Holding Limited no país. Uma empresa local, a FJV Management Limited, que tem ligações com mais de 300 outras firmas criadas em Malta, aparece como a outra sócia. A Ceres, por sua vez, é dona da Themis Consulting Limited, criada na mesma data, indicando que ela também pertenceria a Sérgio Andrade.

O acionista da Andrade Gutierrez não está diretamente no foco da Lava Jato. No entanto, em depoimento de delação premiada divulgado em abril, o ex-executivo da Odebrecht Henrique Valladares citou nominalmente Sérgio Andrade ao falar sobre suposto pagamento de R$ 50 milhões de forma ilícita ao senador Aécio Neves, relacionado à construção da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia. Segundo Valladares, ele sabia do pagamento e “pagou sua parte” (R$ 20 milhões). No mês passado, Andrade também foi chamado como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral num dos processos decorrentes da Operação Calicute.

Outro personagem importante da Lava Jato que teve negócios em Malta é o empresário Mariano Marcondes Ferraz . Em abril de 2007, ele criou a Dhamar Participation Limited. Em setembro de 2009, a firma começou seu processo de dissolução. Seus últimos documentos datam de 2011. Ferraz foi preso em 26 de outubro do ano passado sob a acusação de pagar propina ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para conseguir a renovação de um contrato entre a empresa Decal do Brasil – da qual ele era representante – e a estatal, em 2011. O empresário foi solto em 3 de novembro após pagar fiança de R$ 3 milhões. Em 2017, ele foi o primeiro a se tornar réu em processos decorrentes da operação.

Citado em 2015 em investigações do MPF na Lava Jato, o engenheiro Mario Ildeu de Miranda  fundou em Malta, em janeiro do ano passado, a Lusoil Project Management Limited. A firma foi aberta em sociedade com a Trident Corporate Services, empresa que oferece serviços financeiros e aparece relacionada a outras 72 companhias registradas no país. Na mesma época, foi criada a Seaoil Project Management Limited, com a Lusoil entre os sócios. O endereço dado por Mario Miranda foi o de um sobrado na Rua do Passadiço, em Lisboa.

O engenheiro foi citado em documentos do MPF porque a empresa EPGN Engenharia, controlada por ele, recebeu, entre 2006 e 2013, cerca de R$ 28,6 milhões de consórcios e empreiteiras investigadas por repasse de propina a dirigentes da Petrobras, apesar de ter um quadro que não passou de três funcionários. À época, os procuradores pediam que fossem “refinadas” as apurações em relação a Mario Miranda. Não há, no entanto, citações mais recentes nos processos ao engenheiro.

Banco usado para propina

Além dos seis nomes citados na Lava Jato presentes diretamente nos registros de Malta, os documentos públicos do país também mostram indícios da presença do banco utilizado pelos irmãos Chebar para a transferência de US$ 16,5 milhões de suposta propina de Eike Batista para Sérgio Cabral: o TAG Bank. A instituição financeira, com sede no Panamá, é controlada pelo banqueiro Eduardo Plass, alvo de condução coercitiva na Operação Eficiência.

Em Malta, foi aberta, em janeiro de 2016, a APV Europe Investments Limited, que tem como diretor o gerente do TAG Bank Alexandre Lima Barigchun. Antes de se mudar para o Panamá, ele fez carreira no Brasil como jogador de basquete, passando, entre outros times, pelo Vasco da Gama.

A empresa foi criada com capital de 5 milhões de euros e tem como dono de todas as ações um fundo de investimento chamado VPA, com sede nas Ilhas Cayman.

O primeiro documento que aparece disponível no processo de constituição da firma é exatamente do TAG Bank, confirmando que foi feito numa conta do banco o depósito do dinheiro necessário para a abertura da APV Europe.

Nesse mesmo documento, apesar de seu gerente ser diretor da empresa criada em Malta, o TAG se isenta de qualquer obrigação em relação ao negócio ou envio de informações adicionais.

“Futuros investimentos”

Renato e Marcelo Chebar: O advogado Antonio Figueiredo Basto, que representa os irmãos no processo relacionado à Lava Jato, foi procurado por e-mail, mas não respondeu. Ele também representa o empresário Mariano Marcondes Ferraz. Neste caso, informou que seu cliente não iria se pronunciar.

Acionista da Andrade Gutierrez, Sérgio Lins Andrade disse, por meio da assessoria de imprensa da construtora, que as empresas em Malta “foram abertas com o objetivo de futuros investimentos no mercado comum europeu, dado que, devido a relação entre o país e o mercado comum europeu, existem incentivos para tal”. Ainda segundo a nota, “no entanto, essas empresas ainda não foram operacionalizadas”. “Portanto, não foi realizada qualquer integralização de capital nas mesmas. Sendo assim, não houve qualquer depósito realizado nas empresas ou operações realizadas. No dia em que for feito qualquer investimento será devidamente reportado à Receita Federal do Brasil. As empresas em questão não têm relação com os negócios da AG”, conclui o texto.

Sobre as acusações envolvendo Sérgio Andrade na Lava Jato, a nota afirma que  “a Andrade Gutierrez segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado”.

A construtora Queiroz Galvão não quis se manifestar.

A Odebrecht enviou a seguinte nota: “A Odebrecht está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça e República Dominicana, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas”.

O engenheiro Mario Ildeu de Miranda não foi localizado pela reportagem para comentar o caso. Sua empresa EGPN não consta mais como ativa no site da Receita Federal, e o telefone de contato que consta no cadastro é de um escritório de contabilidade.

O gerente do TAG Bank Alexandre Lima Barigchun não foi localizado para comentar o caso. A reportagem entrou em contato com a gestora de investimentos Opus, da qual o dono do TAG Bank Eduardo Plass faz parte no Brasil, mas não obteve retorno.

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Malta Files revela que 148 brasileiros têm firmas em país utilizado para evasão de impostos

23 May 2017 - 11:31am

As belas paisagens e o clima agradável, com uma média de 300 dias ensolarados por ano, já poderiam ser por si só motivo para chamar a República de Malta, arquipélago no Mar Mediterrâneo, de paraíso. Mas as 53.247 empresas abertas no país de menos que meio-milhão de habitantes entre 1997 e setembro de 2016 revelam um território também atraente para os negócios de quem busca escapar de impostos para aumentar os lucros. Entre os interessados aparecem os doleiros do ex-governador de Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o irmão do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-“homem da mala” do grupo JBS/Friboi, o banqueiro acusado de facilitar propinas de Eike Batista e várias celebridades, empresários e criminosos de vários cantos do mundo.

Os dados constam no Malta Files, um levantamento realizado nos últimos meses pelo consórcio European Investigative Collaborations (EIC), que reúne 14 veículos de comunicação — entre eles, The Intercept Brasil e a Agência Sportlight — e 48 jornalistas de 16 países. O trabalho mostra os meandros que envolvem as dezenas de milhares de firmas criadas em Malta nos últimos 20 anos. As apurações têm como base um catálogo inédito do registro público das companhias, além de mais de 150 mil documentos vazados da empresa Credence Corporate & Advisory Services, especializada em serviços legais, financeiros e corporativos no país.

No Brasil, a Receita Federal classifica o arquipélago desde 2010 como um regime fiscal privilegiado, uma espécie de segundo nível numa escala que tem no topo os paraísos fiscais – lugares com tributação irrisória e falta de transparência sobre os negócios abertos lá. Os países que são “regimes fiscais privilegiados” permitem alguns tipos de registros de empresas, de acordo com a Receita, que merecem ser avaliados com atenção. No caso de Malta, são as International Trading Company (ITC) e International Holding Company (IHC) que, segundo a Receita Federal, não permitem acesso aos dados de composição societária.

“Quem tem mais dinheiro consegue se movimentar para lugares onde se paga menos imposto e é tributado de forma mais leve”, explica o professor Direito Tributário da Uerj, Sérgio André Rocha.

Menor país da União Europeia (UE), Malta vem funcionando como uma espécie de capital extraoficial da evasão fiscal no continente graças a um sistema de taxação que atrai estrangeiros de diversas partes do mundo. Entre eles, grandes companhias e clientes multimilionários que buscam sonegar impostos em seus países de origem. Ao longo das próximas duas semanas, serão publicadas investigações que revelam usos e abusos permitidos por esse sistema.

No ano passado, com a publicação mundial dos Panama Papers, o maior vazamento de dados financeiros na história, revelou como o sistema pode facilitar a lavagem de dinheiro e a atividade criminosa por meio de offshoresempresas abertas em paraísos fiscais e locais de baixa tributação. Mas a revelação mais escandalosa foi a de que a maioria dos esquemas complexos e sigilosos que conseguiram evitar o pagamento de bilhões em impostos foi feito legalmente. A situação em Malta é bastante parecida.

Vale lembrar que, apesar de o cidadão comum ser altamente taxado, o Brasil é extremamente complacente com quem tem dinheiro suficiente para pagar inclusive uma boa consultoria de advogados e contadores. O país é o 26º no índice de sigilo financeiro, de acordo com um levantamento da Tax Justice Network em 2015. Um estudo da ONU identifica o Brasil como um “paraíso tributário” para os “super-ricos” uma vez que, na média, eles pagam uma taxa efetiva de apenas 7% de encargos, devido a isenções de impostos sobre lucros e dividendos.

O governo Temer chegou prometendo cortar ainda mais impostos e juros para empresas à custa da redução serviços básicos para a população. A “Bolsa Empresário” de isenções fiscais do Planalto para 2017 é estimada em R$ 224 bilhões, ou 3,4% do PIB. A sonegação tributária referente a 2016 é estimada em R$ 530 bilhões, o equivalente a 10% do PIB. O estado de Rio de Janeiro, que concedeu R$138 bilhões em isenções fiscais entre 2008 e 2013 e agora está em estado de calamidade, acabou de aprovar mais uma exoneração para empresas com faturamento acima de R$ 100 milhões.

Em Malta, o sistema funciona basicamente da seguinte forma: uma empresa aberta no país é taxada em 35% de imposto sobre o rendimento. No entanto, a legislação local permite que, se os acionistas e a maior parte dos negócios da firma não estiverem baseados em Malta, o fisco do arquipélago restitua aos empresários até 6/7 do total pago. Na prática, os impostos podem chegar então a apenas 5%, os menores da UE. No Brasil, a taxa de impostos para empresas antes das isenções é de 34%.

Ilustração: Raquel Cordeiro

Lista tem 148 nomes de brasileiros

Nos registros públicos catalogados pelo EIC, os brasileiros não chegam a estar entre os que mais se aproveitam das vantagens oferecidas por Malta, mas mantêm 177 empresas lá. Entre os sócios e representantes dessas companhias, a maior parte declarou morar em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Portugal. Cada um desses lugares mantêm 31 registros de empresas na ilha. As firmas relacionadas aos 148 brasileiros também possuem 172 pessoas de outras nacionalidades entre sócios ou representantes. Foram registrados ainda 38 estrangeiros que declararam morar no Brasil ao abrirem suas firmas em Malta.

O Brasil taxa em 25% as operações realizadas de empresas locais tanto para paraísos fiscais como para regimes fiscais privilegiados. Normalmente, essa taxação é de 15%. No cadastro acessado pelo EIC, estão as empresas de Malta que possuem dados públicos, boa parte classificada como “Limited”. Portanto, não há por aqui alerta especial em relação a essas firmas. Ou seja, vale a porcentagem mais baixa.

Para pessoas físicas que têm empresas em Malta, a participação societária de quem mora no Brasil deve constar de sua declaração anual de Imposto de Renda, no campo “bens e direitos no exterior”. A cobrança acontece de acordo com a tabela progressiva normal.

Sérgio André Rocha afirma que a guerra fiscal que envolve países como Malta na luta para atrair capital para os seus domínios é um dos desafios mais delicados de serem resolvidos no mundo atual. “Há uma concorrência fiscal grande, que só será resolvida com muita coordenação. O quadro atual é extorsivo, gera uma distorção sistêmica, que é a inversão de um sistema tributário justo. Os que não têm recursos são obrigados a pagar as taxas de seus países de origem.”

O advogado ressalta que, a princípio, não há qualquer ilegalidade em um brasileiro possuir uma empresa num paraíso fiscal. Os motivos legítimos podem ir desde uma proteção maior ao investimento à busca de uma base no exterior para a expansão de negócios. Casos recentes, porém, como o da Lava Jato, têm, não à toa, levantado suspeitas generalizadas sobre o uso deste tipo de recurso:

“Cada vez mais vamos ver as grandes empresas ponderando sobre o uso de paraísos fiscais, principalmente pelos casos recentes de repercussão negativa. Anos atrás, isso era muito comum, até nas estatais. Agora, estamos vendo cada vez menos.”

Sistema fiscal resulta em perda de 1,5 bilhão de euros

De acordo com um estudo feito pelo jornal Malta Today – integrante do EIC — para o ano de 2015, o sistema fiscal implementado no arquipélago resultou em quase 1,5 bilhão de euros a menos em impostos para Malta e países da UE – um déficit que aumenta ano após ano. É dinheiro “perdido” tanto para o Tesouro do país quanto para a base tributável dos vizinhos europeus, onde boa parte das matrizes das firmas com filiais em Malta está sediada.

O país precisa se manter atrativo para as empresas internacionais.

Na maioria dos países da UE, o imposto sobre o rendimento líquido de empresas costuma ficar entre 20% e 35%. As alíquotas são mais baixas em Estados-membros menores, como Letônia e Lituânia (15%), Chipre e Irlanda (12,5%) e Bulgária (10%). A média da União Europeia é de 22%, de acordo com a empresa de auditoria e consultoria KPMG. Este ano, a Hungria vai reduzir o imposto sobre o rendimento das empresas para 9%.

O atual regime fiscal conta com o apoio de todos os grandes partidos políticos de Malta, à exceção do Partido Verde. A União Europeia garante aos Estados-membros independência quanto às questões fiscais internas. O Ministro das Finanças de Malta, Edward Scicluna, afirma que, devido à localização e à falta de recursos naturais, o país precisa se manter atrativo para as empresas internacionais.

Malta entrou para a União Europeia em 2004 e exerce a presidência do conselho do bloco desde janeiro de 2017. Neste mandato, que vai até junho, um dos principais intuitos dos países membros é priorizar justamente o combate rigoroso à evasão fiscal, à sonegação de impostos e à lavagem de dinheiro.

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Facebook não dirá se vai usar sua atividade cerebral para publicidade

23 May 2017 - 10:22am

Todo ano, o Facebook reúne centenas de desenvolvedores, parceiros de negócios e jornalistas para o discurso do diretor executivo da empresa, Mark Zuckerberg, sobre a sua visão de futuro. O encontro é conhecido como “F8”, e a edição deste ano trouxe alguns planos radicais, um dos quais parece saído de um livro de ficção científica: o uso do cérebro humano como dispositivo de entrada de dados.

Embora ainda esteja muito longe de torná-la realidade, o Facebook deveria publicamente levar em consideração as sérias implicações dessa tecnologia.

Há poucos detalhes sobre como esse projeto de interface cérebro-máquina funcionaria, provavelmente porque a empresa ainda não o inventou. Mas a verdade é que ela já tem pesquisado seriamente sobre suas possíveis aplicações. Isso fica claro no seguinte press release:

“Adotamos uma abordagem bem diferente no campo da interface cérebro-máquina e de reconhecimento de voz. É uma abordagem mais científica e não invasiva”, afirma a companhia. O projeto é descrito como “uma interface silenciosa de reconhecimento do discurso, com a velocidade e flexibilidade da fala e a privacidade do texto”. O objetivo é ser capaz de processar “cem palavras por minuto, extraídas diretamente do centro da fala do cérebro”. Isso seria possível por meio de “sensores não invasivos distribuídos em larga escala (…), e um mapeamento ótico dos neurônios, capaz de analisar a atividade cerebral centenas de vezes por segundo”.

“A privacidade do texto” é uma expressão interessante vinda do Facebook, que, assim como o Google, se tornou uma empresa multibilionária com base no uso de textos digitados no computador para direcionar a ação publicitária. Para desenvolver essa interface entre pensamento e máquina, o Facebook diz ter montado uma equipe “de mais de 60 cientistas, engenheiros e integradores de sistemas” de algumas das mais conceituadas universidades americanas (encabeçada pelo ex-diretor da DARPA –Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa). A questão da privacidade foi uma das primeiras perguntas dos jornalistas presentes no F8, como mostra o seguinte trecho de um artigo do portal The Verge:

“[A diretora de pesquisa do Facebook] Regina Dugan ressalta que não se trata de invadir a mente de ninguém – uma ressalva importante, visto a preocupação do público com a questão da violação de privacidade envolvendo grandes redes sociais como o Facebook. ‘Trata-se de decodificar as palavras que você já decidiu compartilhar ao enviá-las para o centro da fala do seu cérebro’, afirma ela, no anúncio oficial da empresa. ‘Por exemplo, você tira várias fotos mas decide compartilhar apenas algumas delas. Da mesma forma, você tem vários pensamentos e decide compartilhar apenas alguns’, explica.”

O Facebook tinha visivelmente se preparado para enfrentar perguntas sobre a questão da privacidade no uso do cérebro como fonte de dados. Assim, nada mais natural do que perguntar se essa tecnologia ainda incipiente também faria parte da gigantesca máquina de publicidade da empresa. E foi exatamente o que perguntei ao Facebook no mesmo dia em que o projeto foi anunciado: a empresa pode se comprometer desde já a não utilizar a atividade cerebral dos usuários para fins de publicidade?

Ha Thai, porta-voz da companhia, respondeu:

“Estamos desenvolvendo uma interface que permite ao usuário se comunicar com a velocidade e a flexibilidade da voz e a privacidade do texto. Ou seja, será usado apenas o conteúdo que o usuário já decidiu compartilhar, enviando-o ao centro da fala do cérebro. A privacidade estará incluída no sistema, como em todas as ações do Facebook.”

Como aquilo não respondia à pergunta, eu insisti:

“Minha pergunta é a seguinte: o Facebook pode se comprometer desde já a não utilizar a atividade cerebral dos usuários para fins de publicidade?”

“Sam, essa é a melhor resposta que posso dar no momento”, respondeu Thai.

Tudo bem, mas isso quer dizer que não, o Facebook não pode garantir, pelo menos no momento, que não vai usar a atividade cerebral dos usuários para a venda de publicidade. Também não quer dizer que a empresa vai necessariamente fazer isso, é claro, mas o que importa é que o Facebook não descarta a possibilidade. Mas também é possível que esse “neuroteclado” não passe de uma jogada de marketing, um vaporware, como o drone de entregas da Amazon ou o transmissor de dados voador movido a energia solar do próprio Facebook.

Embora essa tecnologia ainda esteja longe de virar realidade, a preocupação com a privacidade dos usuários não é exagerada. Não devemos ignorar o histórico de experimentos da empresa com a mente dos usuários, seja manipulando suas emoções ou colocando imagens das pessoas em anúncios sem o consentimento delas. “Eles confiam em mim, os idiotas”, brincou Zuckerberg com um amigo, via mensagem, quando ainda estava desenvolvendo o Facebook em seu dormitório em Harvard.

O interesse do Facebook pela digitação mental foi notado por especialistas em Neuroética. Para eles, isso reforça a ideia de que o avanço das tecnologias de interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) vai transformar em realidade o que antes era coisa de ficção científica.

“Acho preocupante que não haja muita reflexão sobre o que significa perder o controle de uma zona de privacidade”, diz o dr. Eran Klein, professor de Neurologia da Oregan Health and Sciences University e especialista em Neuroética do Centro de Neuroengenharia Sensório-Motora. “Uma das coisas que nos faz humanos é poder decidir o que sai da nossa boca e o que deixar guardado na cabeça”, afirma.

Um vazamento acidental de nossos monólogos interiores para servidores online poderia ter profundas consequências. “Se você tem um preconceito mas se esforça para refreá-lo, isso é sinal de caráter. Porém, por causa daquele prático ‘neuroteclado’ que você comprou, seus preconceitos podem ficar escancarados para todo mundo. Isso mudaria totalmente a maneira pela qual avaliamos o caráter e as escolhas morais das pessoas”, diz Klein.

Poder não dizer tudo o que nos passa pela cabeça é fundamental para a humanidade, a sociedade e a moral, e o Facebook já desrespeitou esse direito no passado. Em 2013, o Facebook publicou um estudo que detalhava como a empresa estava armazenando não apenas textos publicados no site, mas também aqueles que por alguma razão haviam sido deletados pelos usuários antes de publicados. Segundo os autores, o Facebook “perde valor com a falta de geração de conteúdo” nesses casos, classificados como “autocensura”. Será que podemos confiar em uma companhia que não sabe respeitar a intimidade de um pensamento, entregando a ela uma conexão direta com o nosso cérebro?

A promessa de que os usuários poderão facilmente determinar o que deve ou não ser transmitido para os servidores do Facebook parece plausível para Klein, mas com uma ressalva: uma característica intrínseca da fala é que não precisamos pensar em cada palavra antes de pronunciá-la. “Quando estou conversando, não aparece nenhuma janela na minha cabeça com botões de ‘sim’ ou ‘não’ para me ajudar a decidir que palavras usar”, explica. A maneira pela qual o projeto foi anunciado dá a impressão de que o cérebro funciona da mesma maneira simples que os ajustes de privacidade do próprio Facebook. “Mas seria muito cansativo ter que tomar uma decisão para cada palavra de uma fala”, afirma Klein. Segundo ele, isso acarretaria o que os neurologistas chamam de “sobrecarga cognitiva.”

Portanto, em vez de uma alternância constante e consciente entre pensamentos públicos e privados, para o cientista “só seria possível integrar essa tecnologia ao nosso dia-a-dia apelando para o subconsciente”. Se esse for o caso, a analogia com o compartilhamento seletivo de fotos do Facebook perderia a validade. “Porque a escolha deixaria de ser consciente”, argumenta. Para Klein, haveria um paradoxo na questão: para que a tecnologia fosse útil, teria que subconsciente, o que eliminaria a possibilidade de controle absoluto da própria privacidade que foi descrita pela porta-voz do Facebook.

Howard Chizeck é especialista em Neuroética e professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Washington, onde também codirige o laboratório de Biorrobótica. Assim como Klein, Chizeck acha que o Facebook pode estar superestimando – ou simplificando demais – a capacidade do cérebro de entrar conscientemente em uma espécie de “modo privado”. “Duvido que possamos escolher exatamente que palavras ‘pensar’ para um sistema externo, pois os pensamentos verbais também ocorrem de maneira espontânea”, pondera.

Chizeck acrescenta que tal atividade “pode variar de pessoa para pessoa e em diferentes condições, como quando bebemos ou estamos cansados”, o que pode dificultar ainda mais o projeto do Facebook. Mesmo que seja possível selecionar precisamente os pensamentos destinados à fala, haveria o risco de vazamento de outros pensamentos para dentro dos servidores do Facebook, segundo Chizeck. “Mesmo que seja possível visualizar as palavras que desejamos enviar, outros sinais cerebrais também podem ser monitorados, o que é preocupante do ponto de vista da privacidade”, afirma.

Quanto ao potencial publicitário do projeto e outras possibilidades assustadoras, Klein acha que não é cedo demais para exigir respostas sérias do Facebook sobre suas pesquisas. “A empresa deve dar garantias de transparência com relação ao que está sendo gravado e como isso pode ser usado na publicidade, mesmo que a pesquisa ainda esteja apenas começando”, diz o professor.

A necessidade de otimizar e conectar o sistema ao subconsciente torna a questão da publicidade ainda mais problemática. “Se for subconsciente, quer dizer que não temos consciência da informação que está chegando até a empresa. Isso significa que o Facebook poderia direcionar a uma pessoa anúncios de produtos de que nem ela mesma sabia que gostava”, pondera Klein.

Tanto Klein quanto Chizeck afirmam que o Facebook deveria, em vez de deixar para depois a questão óbvia da privacidade, estabelecer desde o começo os princípios de suas pesquisas neurológicas. “A questão da privacidade deveria estar incluída no sistema desde o início” diz Chizeck. “Acho que se faz necessário um padrão – estabelecido por empresas do setor, entidades profissionais e o governo – com mecanismos a serem seguidos pelas empresas e supervisionados pelo governo ou agências independentes”, acrescenta.

Klein também considera importante que as empresas que desenvolvem tais projetos científicos pioneiros estabeleçam as regras do jogo com antecedência. “Elas precisam deixar claro de antemão quais são seus valores e a sua visão. É claro que o Facebook não pode prever tudo, mas, se deixarmos que o projeto seja guiado apenas pela tecnologia, a ética vai acabar ficando para trás”, diz.

Foto do topo da página: O diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, no discurso de abertura da Conferência de Desenvolvedores – a F8 -, no McEnery Convention Center, em San Jose, na Califórnia, em 18 de abril de 2017.

Tradução: Bernardo Tonasse

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Cable Industry Lobbyists Write Republican Talking Points on Net Neutrality

23 May 2017 - 10:20am

Following the vote last week by the Federal Communication Commission to unwind the net neutrality rules enacted during the Obama administration, House Republican lawmakers received an email from GOP leadership on how to defend the decision. The email was shared with The Intercept and the Center for Media and Democracy.

Net neutrality is the principle that internet service providers must treat all web traffic in the same way. If the FCC eventually undoes the Obama-era regulations in their entirety, an ISP like Comcast could demand that websites pay it fees in order not to slow or block them. Large companies like Facebook would easily be able to afford such charges, but smaller companies might not, creating an uneven playing field.

“Want more information on the net neutrality discussion?” wrote Washington state Rep. Cathy McMorris Rodgers, chair of the House Republican Conference. “Here is a nifty toolkit with news resources, myth vs reality information, what others are saying, and free market comments.”

The attached packet of talking points came directly from the cable industry.

The metadata of the document shows it was created by Kerry Landon, the assistant director of industry grassroots at the National Cable and Telecommunications Association, a trade group that lobbies on behalf of Comcast, Cox Communications, Charter, and other cable industry companies. The document was shared with House Republican leaders via “Broadband for America,” a nonprofit largely funded by the NCTA.

“The FCC is wisely repealing the reckless decision of its predecessors to regulate competing internet service providers,” reads one of the document’s talking points. “We rightly protest when governments around the world seek to place political controls over the internet, and the same should apply here in America,” according to another.

The document also refers GOP caucus members to quotes they can use from other industry-funded nonprofits to defend the decision to repeal net neutrality through the rollback of Title II reclassification.

To respond to the “myth” that “only internet providers oppose utility regulation,” the document suggests citing a number of civil rights organizations that have opposed net neutrality.

The same groups cited by the talking points, however, are heavily funded by ISP companies, including AT&T, Verizon, and Comcast, and the group that mobilized certain civil rights leaders to sign onto a campaign against net neutrality has a long history of work on behalf of the cable industry.

Broadband for America, the cable industry-funded group that passed the document to House Republicans, has long acted as a go-between for cable industry money to flow to allied pundits, lobbyists, and consultants.

The organization has enlisted a bipartisan set of talking heads to speak out against net neutrality. Harold Ford, the former Democratic lawmaker, and John Sununu, the former Republican senator, have been paid handsomely by the group while appearing in the media to warn about the dangers of adopting net neutrality.

Broadband for America has also retained a broad set of consultants to influence the telecom policy debate. The DCI Group, a Republican firm that specializes in “astroturf” campaigns designed to create fake grassroots support for political clients, has been paid at least $8,284,685 since 2012. SKD Knickerbocker, a firm founded by prominent Democrats, has received at least $3.1 million from Broadband for America.

In 2014, Broadband for America touted a lengthy list of allied groups that shared their opposition to net neutrality rules. But many of the groups on the list, including the Ohio chapter of League of Conservation Voters and a radio program dedicated to supporting veterans, said they were added to the list without their knowledge.

NCTA and Rep. McMorris Rodgers did not immediately respond to a request for comment.

Top photo: The hearing room at the Federal Communications Commission headquarters in Washington, on Feb. 26, 2015.

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Noblat sugere que ele e O Globo são antidemocráticos e marca 4 gols contra em 4 tweets

22 May 2017 - 6:29pm

Ricardo Noblat, colunista do jornal O Globo, é conhecido por aderir fielmente às posturas de seu chefes, os bilionários irmãos Marinho – a exemplo de suas enfáticas e frequentes declarações a favor do impeachment de Dilma Rousseff (com piadinhas desprezíveis inclusive). Não se acanha em ostentar aquilo que acha ser uma relação próxima com Michel Temer — o presidente até esteve na festa de 50º aniversário de carreira do jornalista e tem chamado a atenção por uma  admiração que beira uma obsessão por Marcela Temer. Dias atrás, ele deu a maior barriga na semana mais tumultuada dos últimos tempos, quando anunciou, na quinta-feira (18) que Temer estava pronto para renunciar à Presidência da República.

Temer cedeu à pressão de aliados e adversários e está pronto para renunciar ainda hoje à presidência da República. pic.twitter.com/HpfowGOTXP

— Blog do Noblat (@BlogdoNoblat) May 18, 2017

Noblat errou, e Temer, como vimos, não renunciou. Essa está longe ser da primeira barriga  dele, mas muita gente levou a sério a nota do jornalista exatamente porque ele ostenta a relação com o presidente que é mais impopular até mesmo do que a ideia de aumentar impostos.

Se tivesse preferido ficar na festa dos meus 50 anos de jornalismo, na noite do dia 7 de março, Temer não teria sido gravado como foi… pic.twitter.com/QaBU7FNHEU

— Blog do Noblat (@BlogdoNoblat) May 18, 2017

Trabalhar junto à classe política e econômica é uma coisa. Se inebriar com o poder que estes podem exalar, é outra. E aqui está o X da questão. O colunista parece mais afeito ao poder que destilam homens como Michel Temer e João Roberto Marinho do que à função jornalística de fiscalizar esse poder. Noblat circula num mundo hiperelite, cheio de empresários e políticos que têm valores diferentes da “ralé brasileira“, algo que fica mais claro a cada grampo e delação.

É um mundo dominado por um ponto de vista em que ricos e poderosos podem tomar decisões em benefício próprio e se justificar dizendo que o fizeram por amor à pátria. E até crer nisso. Eles crêem que são mais sábios que o povo, predestinados a guiar e salvar o país, mesmo que isso exija ir contra a maioria dos eleitores. Assim, julgam legítimo fazer coisas como apoiar um golpe civil-militar, editar um debate presidencial para favorecer um candidato e apoiar o impeachment de uma presidente porque discorda da sua plataforma. Esse conceito elitista é repugnante para quem acredita que “todo poder emana do povo”, mas é comum entre a elite mundial. Após cinco décadas neste mundo, parece que Noblat perdeu a noção do papel de um jornalista e da bolha em que vive. Ou não. Acha que faz parte dele.

Na noite deste domingo (22), Noblat soltou pérolas em seu perfil pessoal no Twitter, mas parece não ter percebido as implicações:

Primeiramente, é interessante ver a dicotomia que ele apresenta: “O Globo” x “a esquerda”. De acordo com seu chefe João Roberto Marinho, o Grupo Globo não apoia lados — nem apoiava o impeachment da Dilma — e assume “a responsabilidade de reportar os fatos. É nosso dever…como teria sido o caso em qualquer outra democracia no mundo”. (Análises feitas pela mídia internacional contam uma outra história.) Em uma propaganda, o apresentador do Jornal Nacional até usa a palavra “imparcialidade” para descrever o jornalismo da TV Globo. Se analisarmos atentamente, veremos que, nesta questão, Noblat está mais correto* do que Marinho ou o âncora William Bonner, mas também está desmentindo (sem querer?) a linha editorial isentona do Grupo. Então, vamos ser benevolentes e classificar este momento de sinceridade como um ato falho de Noblat.

Segundo, ele pinta o embate erradamente. De acordo com uma pesquisa Datafolha feita em abril, 85% da população apoia eleições diretas caso Temer caia, mesmo levando em consideração que seria necessária a aprovação de uma emenda constitucional. Lembrando que isso foi antes das delações da JBS, que provocaram gritos de #DiretasJá nas ruas e nas redes.

Último Datafolha: 85% a favor de eleições diretas, mesmo a pergunta levando a crer que seria necessário mudar a Constituição. pic.twitter.com/F5l2Su0ORc

— Laura Carvalho (@lauraabcarvalho) May 20, 2017

Isso é o primeiro equívoco. Não é “a esquerda” tentando “salvar Lula, e salvar-se”. São 85% da população de um país que é bastante conservador. Outra pesquisa Datafolha, de dezembro do ano passado, mostra que apenas 26% das pessoas se identificam como de esquerda ou centro-esquerda (24% centro, 31% centro-direita ou direita). Há ainda outra pesquisa Datafolha, de abril deste ano, que demonstra que 45% da população rejeita Lula no primeiro turno, um resultado consistente com pesquisas anteriores (apenas Temer foi mais rejeitado, com 64%). Ou seja, como é que é possível afirmar que #DiretasJá é apenas coisa de esquerdista tentando salvar Lula enquanto 85% da população apoia o conceito, só um quarto da população se declara de esquerda e 45% rejeita Lula? Pesquisas 2×0 Noblat.

Agora, Noblat diz que negar o desejo político de 85% da população é fazer “o que manda a lei”. Deixemos Laura Carvalho, economista e colunista da Folha, responder:

Golpe constitucional é fazer emenda à Constituição contra a vontade da população. O resto faz parte do jogo democrático. https://t.co/Pz2yLGANoo

— Laura Carvalho (@lauraabcarvalho) May 20, 2017

3×0. Valeu, Laura.

Noblat: “Haverá diretas, já, daqui a 17 meses.” Enquanto isso, botar um pseudo-Temer na Presidência com o voto do Congresso — onde um em cada três deputados é investigado pelo Supremo Tribunal Federal – que está junto com Temer. Quer dizer: seriam 29 meses com um governo com aprovação de 9%, que está implementando reformas estruturais que nunca foram aprovadas pelas ruas, nem debatidas com a sociedade e que são extremamente danosas para os direitos fundamentais da maioria da população, enquanto os Três Poderes passam por graves crises de legitimidade (é sério isso, Gilmar?). Esse é o estado democrático apoiado por Noblat e o Grupo Globo dos Marinho.

Questionado por Cecília Olliveira, do The Intercept Brasil, Noblat respondeu:

@Cecillia Como qualquer pessoa ou jornal ou entidade, O Globo tem direito de manifestar sua opinião.

— Blog do Noblat (@BlogdoNoblat) May 21, 2017

E é verdade. Tem o direito, sim. (Gol Noblat! 3×1) Só que tem um problema aí. Os Marinho são donos de quatro jornais, 16 revistas, 61 canais de TV à cabo e satélite, uma gravadora, uma editora de livros, um provedor de internet, têm influência sobre uma rede de concessões locais de rádio e TV e posse de 34% da audiência da principal fonte de notícia nacional (a televisão). Assim, acaba que a opinião de uma família de herdeiros bilionários consegue soar mais alto do que 176 milhões de brasileiros que discordam. Isso não é democrático, mas democracia nunca foi a marca que eles endossavam mesmo, sempre foi e sempre será um tipo de ditadura benevolente controlada pelos ricos e poderosos. (4×1 para Noblat, 7×1 para Brasil.) Quem paga mais leva. Joesley Batista que o diga.

Vale a pena notar que Noblat já até escreveu que “impedir a realização de um desejo da esmagadora maioria dos brasileiros” é “um golpe” — mas isso só valia porque o desejo era alinhado com o dele: tirar Dilma.

O primeiro passo para acabar com o cartel que estrangula Brasília é uma reforma da mídia que quebre o cartel midiático que estrangula o fluxo de informação no Brasil. Isso foi uma proposta “prioritária” do governo PT e largá-la foi um dos seus piores erros. O PT trocou o debate sobre a democratização da mídia por bilhões em publicidade investidos na mídia que hoje critica. Engordou a cobra que o picou. A reforma é mais urgente que qualquer PEC que o governo Temer ou o governo Maia ou o governo Meirelles promoveria. Esperamos que o Noblat consiga vê-la acontecer antes de dar sua última barriga.

 

* O Grupo Globo é tão isentão que as “gerências de Marketing e de Comunicação da Rede Globo” criaram uma campanha em apoio ao agronegócio (“Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é tudo”) e promovem este fato em matéria em seu site de notícia, G1, como se não fosse um escandaloso conflito de interesse. Para jornalistas comprometidos com a democracia e com o papel principal do jornalismo — fiscalizar poderes —, o setor é responsável por ou acusado de desmatamento da Amazônia, assassinar ativistas, utilizar trabalho escravo, corrupção ativa de políticos e…ser estrela em propagandas na TV Globo por dois anos seguidos. Para o diretor-geral da TV Globo, o foco é “a eficiência e a competência do agronegócio brasileiro e sua posição de vanguarda no cenário mundial”.

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Para sustentar Temer, bancada evangélica usa igrejas e rebanhos em meio aos caos

22 May 2017 - 4:40pm

“Sê forte e corajoso e faze a obra, não temas, porque o Senhor teu Deus, o meu Deus, há de ser contigo”. E todos os presentes dizem amém. A leitura do trecho da Bíblia, em que o rei Davi passa o trono para o seu filho Salomão, é lida para Michel Temer, pelo deputado João Campos (PSDB-GO), em maio de 2016, logo após o seu discurso de posse como presidente.  Temer se reuniu para uma oração com pastores e parlamentares, entre eles Silas Malafaia, Pastor Everaldo, Marco Feliciano, Samuel Ferreira e o deputado Sóstenes Cavalcante. Um ano depois, faz-se necessário, em meio ao nebuloso cenário atual, estar atento a como “Deus” – na verdade o “Deus” de João Campos e seus pares, que foi decisivo para tirar Dilma Rousseff – pode “ungir” Temer no governo, e, de novo, ser decisivo para que ele ali permaneça.

Horas antes da delação da JBS se tornar pública Temer recebeu o pastor Samuel Câmara

Foto: Alan Santos/ PR

No mesmo dia do turbilhão que tomou conta do Planalto por conta das repercussões da matéria do jornalista Lauro Jardim, Temer recebeu, horas antes, a visita do pastor Samuel Câmara, de quem ganhou o livro “Bíblia da Liderança Cristã”. Câmara é presidente da Assembleia de Deus de Belém (PA), uma das maiores e mais importantes entre as Assembleias de Deus no país. No dia seguinte, receberia Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A agenda só foi desmarcada por conta da crise instalada a partir da noite de quarta.

Tanto com Câmara, quanto com Malafaia, a intenção de Temer é pedir apoio para a Reforma da Previdência. Seja no púlpito das igrejas, seja na tribuna do parlamento, Temer sabe que a influência dos líderes evangélicos é determinante para fazê-lo ser bem sucedido em seu projeto (o universo evangélico, no total, passa de 50 milhões e, destes, cerca de 38 milhões são eleitores) . Malafaia já havia sido recebido por Temer em abril de 2016, no calor da aprovação do impeachment na Câmara, momento em que desejou “sorte” ao ainda vice-presidente e sabedoria para “tirar o país do fundo do poço”. No mês seguinte, em 12 de maio, esteve no encontro citado no início deste artigo.

A afirmação firme e contundente de Temer de que ele não renunciará parece não estar firmada na sua convicção na própria inocência no caso mas, antes, muito mais na convicção de sustentação de sua base

A afirmação firme e contundente de Temer de que ele não renunciará parece não estar firmada na sua convicção na própria inocência no caso, ou na sua capacidade de convencimento de que é inocente, mesmo diante de todas as evidências das conversas gravadas, mas, antes, muito mais na convicção de sustentação de sua base. E a bancada evangélica e seus pastores são fundamentais para isso, ainda que pouco se dê destaque a ela, uma vez que o projeto de poder da Bancada em pautas tidas como parte de uma “agenda moral” (como aborto, drogas, sexualidade), parecem chamar mais atenção do que a sua capacidade de mover peças no tabuleiro do jogo do poder. Temer já reconheceu publicamente o apoio recebido por Eduardo Cunha e o bispo Manoel Ferreira, como “generais eleitorais” de sua terceira eleição para a presidência da Câmara, em 2009. O que mostra que esta é uma “unção” que vem de longe.

O filho de Manoel Ferreira, Samuel Ferreira, é conhecido pelo seu poder e influência entre a elite política de São Paulo. A Assembleia de Deus Madureira é rito obrigatório para os aspirantes ao poder paulista, e não seria diferente para os aspirantes ao poder no Planalto. A história da igreja, cujo nome é referente ao bairro do Rio de Janeiro, onde surgiu, se confunde com a própria origem das Assembleias de Deus no Brasil, desde a década de 30, e seu poder está, em grande parte, no domínio da “dinastia” dos Ferreira, que controla a denominação há mais de seis décadas.  Não por acaso, no mesmo mês da posse de Temer, o Ministério das Relações Exteriores, com o ministro interino José Serra, concedeu passaporte diplomático a Samuel Ferreira, o que gerou polêmica e petições públicas de cassação do pedido. Quando teve o passaporte concedido, Samuel Ferreira já era investigado pela Lava Jato. Pesa sobre ele a acusação de usar a igreja Assembleia de Deus para lavar dinheiro dado a Eduardo Cunha.

É importante perceber que o poder dos “homens da igreja” é tramado e construído por baixo, longe dos holofotes, nas visitas, nos cultos que fazem na Câmara, nas orações de corredores.

No Brasil, a política tem transitado uma trama cada vez mais complexa de cada vez maior capilaridade. Mas é importante perceber que o poder dos “homens da igreja” é tramado e construído por baixo, longe dos holofotes, nas visitas, nos cultos que fazem na Câmara, nas orações de corredores. Não é inapropriado se perguntar sobre que nomes passam pela cabeça deste grupo, em caso de eleições indiretas, e que tipo de mobilização e pressão farão, a partir de seus rebanhos, para impor, ou influenciar, as alternativas possíveis. E, neste caso específico, assusta a costura de relações feita pelo deputado Sóstenes Cavalcante, aproximando Bolsonaro de Malafaia, e relação de Samuel Ferreira com Dória. Não é bom perdê-los de vista. Não é bom ignorar que, embora haja igrejas e evangélicos na linha de frente da resistência a Temer e as reformas do governo, os mais poderosos das mais poderosas igrejas estão ao seu lado, e as mãos deles seguem estendidas, abençoando o governo, amaldiçoando a quem se opõe ao projeto de poder que construíram, e dizendo amém.

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White House Blames Exhaustion for Donald Trump’s “Islamic Terrorism” Dog Whistle in Saudi Arabia

22 May 2017 - 3:19pm

What is President Donald Trump’s position on Islam? Does he consider Islam to be a religion of peace? Or, as Trump’s former national security adviser Michael Flynn once put it, is Islam “like a cancer”?

Judging by Trump’s own ad-libbed departure from the speech he delivered yesterday in Saudi Arabia, the president is thinking about Islam with his typical combination of deep cynicism and utter cluelessness. In Riyadh, the Saudi capital, Trump stood before leaders from 55 countries and three continents. He called on them to join the United States in “honestly confronting the crisis of Islamic extremism, and the Islamists, and Islamic terror of all kinds.”

Trump's use of term "Islamic terror" during speech deviated from prepared remarks which read "Islamist." pic.twitter.com/ISIRVZkmNc

— Jim Acosta (@Acosta) May 21, 2017

Each one of those terms — Islamic extremism, Islamists, and Islamic terror — has a precise meaning. By lumping them together, Trump put America’s fears and inconsistent rhetoric on display at a moment when much of the Muslim world was seeking clarity and parsing his every word.

“‘Islamic terrorism’ could be seen as inflammatory,” Quintan Wiktorowicz, a former senior director at the National Security Council, told The Intercept. Wiktorowicz wrote an op-ed for the Washington Post criticizing Trump’s speech for mostly ignoring the root causes of terrorism. “The Muslim world, when they heard this speech, was likely hypersensitive to these nuanced differences in terminology,” he said. “They were looking for signals as to whether the administration really believed what they were saying during the campaign.”

During the campaign, Trump repeatedly pounded the table with the words “radical Islamic terrorism,” and harshly criticized President Obama for avoiding the phrase, which the previous administration regarded as incendiary and inaccurate. Trump had different ideas. “I think Islam hates us,” he said in one interview.

As delivered, Trump’s speech differed from the script circulated by the White House. That version of the speech was going to condemn “Islamist extremism and the Islamist terror groups it inspires.” Not “Islamic terror of all kinds.” The difference between “Islamist terror” and “Islamic terror” might sound small, but its significance is hard to overstate. “Islamism” is a term used by Western moderates to denote political groups like the Muslim Brotherhood that combine religion and politics. “Islamic terror” is a term used by the American far-right to imply that Islam itself is inherently violent.

For any other president, an apparently improvised phrasing on such a sensitive point would be scrutinized endlessly, just as President George W. Bush’s words were when he called the war on terror a “crusade” shortly after September 11, 2001. But the world seems to have gotten used to Trump’s shifty rhetorical style. What do words mean, anyway, if Trump can make nice with the Saudi government that a little more than a year ago he was blaming for the 9/11 attacks?

The question of whether Trump would speak the words “radical Islamic terrorism” was reportedly the subject of significant debate inside the White House. According to reporting by Bloomberg’s Eli Lake, H.R. McMaster, the current national security adviser, “pleaded with the president not to use the phrase ‘radical Islamic terrorism,’” in an earlier speech to Congress, but the words remained.

“The president will call it whatever he wants to call it,” McMaster told ABC News in a broadcast interview the day before the Riyadh speech, which was reportedly written, at least in part, by Stephen Miller, the White House aide who put together Trump’s ban on immigrants from six Muslim-majority countries.

A senior White House official told CNN that the change in wording was due to Trump being “just an exhausted guy.” But it is difficult to believe that Trump would not be attentive to words that he chanted like a mantra during the campaign and used to stir up the Republican Party’s base. To them, the Saudi trip was a litmus test of whether Trump would live up to his campaign promise to frame his Middle Eastern policy as a clash of Christian and Muslim civilizations. Many seemed satisfied. Breitbart News put the words “Islamic Terror” in the headline of their piece on Trump’s speech, which emphasized the differences between Trump’s policies and Obama’s attempts “to appease Islamic resentment of the West.” The piece’s author suggested that the word change was entirely deliberate, not so much a gaffe as a dog whistle:

"I don't think he meant to say 'Islamic terror,'" says @NPR analyst, trying to cast Trump as a dummy bc he departed from text given to press

— Joel B. Pollak (@joelpollak) May 21, 2017

“The language is completely consistent with the language used by Steve Bannon, Stephen Miller, and Sebastian Gorka, who have been driving this agenda from the White House,” Wiktorowicz said. “I don’t think anyone should be surprised that he was using these words.”

Top photo: President Donald Trump makes his way to board Air Force One in Riyadh on May 22, 2017.

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Vendido como mocinho pela irmã, Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos

22 May 2017 - 12:51pm

Esqueça por um momento o espetáculo grotesco: um senador da República, presidente de um dos maiores e mais importantes partidos do país, já formalmente investigado pela maior operação anticorrupção do Brasil, se encontra em um hotel de luxo com um megaempresário e combina com ele o pagamento de uma propina de R$ 2 milhões. Na ação, o senador age em família, ajudado pela irmã e por um primo. Antes de encerrar as tratativas com uma frase lapidar – “isso vai me dar uma ajuda do caralho” –, o senador diz ao empresário, entre risadas, que mandaria matar o primo, encarregado de recolher a propina, caso este um dia resolvesse fazer delação premiada. O dinheiro, embalado em maços, é enfim entregue em malas ao tal primo, e o destino final da bolada são os cofres da empresa da família de outro senador, um político de péssima fama (quatro anos antes, o helicóptero de sua família, registrado em nome de uma pessoa jurídica, havia sido apreendido com 445 quilos de pasta de cocaína).

O que nos interessa é o outro Aécio, aquele que, em 32 anos de vida pública, foi “vendido” pela quase totalidade da mídia como um político honesto, moderno e até mesmo encantador.

Esqueça tudo isso só por um momento. Não falaremos aqui do Aécio Neves que a grande maioria do público que se informa pelo noticiário das TVs, dos jornais, das rádios e da internet conhece há apenas cinco dias. O que nos interessa é o outro Aécio, aquele que, em 32 anos de vida pública, foi “vendido” pela quase totalidade da mídia como um político honesto, moderno, “diferente” (no bom sentido) e até mesmo encantador.

Claro que é importante conhecer o “novo” Aécio que aparece agora dirigindo megalicitações, pegando propina, tentando bloquear as investigações da Lava Jato. Mas é igualmente fundamental entender o processo que garantiu três décadas de blindagem ao “antigo” Aécio. É preciso esmiuçar a armação que fez com que a grande maioria do público consumisse um político holograma, uma mentira.

Para compreender esse fantástico case de construção de imagem, é preciso jogar luz em uma personagem que, no sentido inverso ao de Aécio, passou essas últimas três décadas nas sombras: Andrea Neves, a irmã do senador que foi presa na semana passada suspeita de participar da operação de pagamento de propina descrita no início deste texto.

Tancredo Neves, com os netos, Andrea e Aécio Neves, em Cláudio, Minas Gerais (1984).

Foto: Divulgação/Flickr aecioneves

Aécio começou a ser embalado em papel celofane pela grande mídia em 1985, quando seu avô Tancredo Neves, escolhido presidente da República em eleição indireta, foi internado em um hospital de Brasília às vésperas de assumir o cargo. Nessa época, atuando como porta-voz da família, Aécio, o jovem neto de Tancredo que lhe servia de secretário particular, começou a entrar nas casas e no coração dos brasileiros. O país parara em frente à TV para acompanhar o drama de Tancredo. Durante 38 dias – entre 14 de março, data da internação, e o fatídico 21 de abril, quando o presidente eleito morreu –, Aécio Neves, recém-completados 25 anos, narrou com olhos marejados a desgraça do avô e, por tabela, a tragédia de um Brasil que se preparava para dar fim a 21 anos de ditadura militar.

Aécio saiu do episódio com um enorme potencial eleitoral. Um mês depois da morte do avô, ele começou a faturar seu prêmio ao ser nomeado diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal por seu primo Francisco Dornelles, então ministro da Fazenda do governo José Sarney (1985-1990). Daí ele não parou mais – no ano seguinte, Aécio conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Novo, inexperiente na política, ele era uma espécie de mascote do Congresso.

Andrea Neves entrou em cena no princípio da década de 1990 e, partindo de um início promissor, começou a transformar o irmão em um Robocop da política nacional. Seu objetivo: moldar a imagem de Aécio como o mocinho da fita e, sobretudo, blindá-lo na mídia não apenas contra possíveis ataques, mas também contra a mais singela das críticas.

Quando o irmão gastava energia pegando onda nas praias no Rio de Janeiro, Andrea já se revelava um animal político.

Se Aécio era inexperiente e pouco afeito às coisas da política, o mesmo não podia ser dito em relação a Andrea. Um ano e 23 dias mais velha que o irmão, ela era a verdadeira herdeira das artimanhas de Tancredo. Desde muito jovem, no alvorecer dos anos 1980, quando o irmão gastava energia pegando onda nas praias no Rio de Janeiro, Andrea já se revelava um animal político – seu début se dera na fundação do PT fluminense, da qual participara. Formada em jornalismo pela PUC do Rio, ela gostava de discutir, conchavar, compor. Amava esse jogo e era muito boa no que fazia.

Em meados da década de 1990, Andrea já era a principal mentora do irmão. Foi quando uma segunda tragédia familiar catapultou a carreira de Aécio: a morte prematura, por infarto, aos 48 anos de idade, do deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA), filho do todo-poderoso senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Habilidoso, carismático e afinado com os interesses do grande capital, o filho de ACM era a principal aposta política do establishment. Na toada em que ele vinha (três mandatos consecutivos como deputado federal, um mandato bem-sucedido como presidente da Câmara e, logo adiante, uma barbada que o elegeria governador da Bahia), Luiz Eduardo haveria de ser presidente da República, muitos pensavam. A morte, contudo, mais uma vez bloqueou o acesso à rampa do Palácio do Planalto.

Com o desaparecimento de Luiz Eduardo Magalhães, Aécio se viu no posto de reserva estratégica do establishment. Com o desaparecimento de Luiz Eduardo Magalhães, Aécio se viu no posto de reserva estratégica do establishment. É bem verdade que, nos campos de centro-direita e direita, ele não era o primeiro da fila. Havia Fernando Henrique Cardoso, presidente em primeiro mandato, então com 66 anos, e outros nomes que ainda seriam testados, como José Serra, 56 anos, e Geraldo Alckmin, 45. Mas, aos 38 anos de idade recém-completados, Aécio podia não ser o amanhã, mas estava escrito em algum lugar que ele seria o depois de amanhã. Bastava fazer uma conta de padaria para ver a potencialidade daquele jovem político. Se FHC fosse reeleito em 1998, como de fato o foi, e o status quo gastasse as três eleições presidenciais seguintes apostando em nomes mais óbvios, Aécio poderia ser jogado no tabuleiro político principal na eleição de 2014. Se perdesse, como de fato perdeu, teria ainda 2018, 2022 e, quando seria então um jovem senhor de 66 anos, 2026.

Posse de Aécio Neves após ser reeleito governador de Minas (2007).

Foto: Eugênio Sávio

Em 1998, portanto, quando Luiz Eduardo Magalhães morreu, o neto de Tancredo era, para o establishment, como um vinho de uma boa região produzido em uma safra afortunada: bastaria guardar alguns anos, em condições ideais de temperatura e pressão, para no futuro desfrutar com gosto. O principal responsável por guardar esse tesouro, para impedir que algo de ruim acontecesse durante o processo de “envelhecimento”, era Andrea Neves. E ela cumpriu a missão com louvor.

Andrea guiou o irmão no trajeto luminoso que fez dele presidente da Câmara dos Deputados (2001-2), governador de Minas por dois mandatos (2003-10), senador (a partir de 2011) e candidato a presidente da República, em 2014. Andrea liderava pessoalmente a articulação com alguns dos maiores empresários do país e autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Em alguns casos, como mostram agora as gravações feitas por Joesley Batista, sócio do grupo JBS, ela também levantava recursos para Aécio. Em outros, negociava apoio em troca de apoio. Assim, trabalhando como uma formiga enquanto Aécio bancava a cigarra, ela edificou uma estrutura política e financeira poderosa em torno do irmão.

Em grande medida planejada, criada e gerenciada por Andrea, a couraça que protegia Aécio o fez flanar liso durante três décadas. As nebulosas conexões de Aécio com empresas públicas de números superlativos (como Furnas), as suspeitas de envolvimento com obras superfaturadas (como as do estádio do Mineirão) e a proximidade com corruptos notórios (como o operador financeiro Marcos Valério) não eram assunto de interesse das autoridades. Não havia delegado, promotor ou juiz que lhe criasse problemas. Na grande mídia, por sua vez, salvo raríssimas e honrosas exceções, Aécio era retratado com um homem sem máculas.

Aécio Neves, Ronaldo e Luciano Huck.

Foto: Foto: Omar Freire / Imprensa MG

Foi na construção da imagem pública de seu irmão que Andrea se revelou um ás. Durante os dois mandatos de Aécio no governo de Minas e na campanha presidencial de 2014, ela comandou com mão de ferro a área de comunicação. Fazia marcação cerrada em contato direto com os donos e com diretores de TVs, jornais e rádios conseguindo assim barrar reportagens já escritas, derrubar pautas e criar dificuldades para repórteres que se punham em seu caminho. Não é que Andrea conseguisse apenas evitar a publicação de denúncias relativas ao irmão, ela não deixava que ele fosse sequer levemente criticado – uma obsessão à lá Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte. Na mídia, por um esforço hercúleo de Andrea, Aécio era descrito como um novo Juscelino Kubitschek: amigo dos artistas, bem-humorado, um político “do bem” que almejava o poder para construir um Brasil moderno.

Modernizada era a chave da propaganda.

Em seu plantão permanente para blindar o irmão, Andrea vigiava desde uma pequena rádio do interior até o Google. Para isso, construiu uma musculosa estrutura de comunicação/imagem/imprensa que chefiava com rigor marcial.

Não raro, a fixação de Andrea em plastificar a imagem do irmão conduzia a exageros. Em 2011, por exemplo, em mais um de seus dias de cigarra, Aécio levou um tombo de um cavalo. Nada que pudesse comprometer a imagem do senador, mas ainda assim Andrea queria evitar a piada pronta: Aécio caiu do cavalo. A assessoria do senador divulgou então uma nota meticulosamente construída: “O senador Aécio Neves sofreu um pequeno acidente quando montava a cavalo”. Ou seja, o senador sempre estivera em cima da montaria.

Aécio Neves após cair de cavalo e fraturar costelas e clavícula.

Foto: Assessoria de Imprensa

Para reforçar a mensagem, jornalistas que contataram a assessoria do senador foram informados de que quem havia caído foi o cavalo, e este acabou por levar Aécio ao chão. Ainda assim, para Andrea, era pouco todo aquele esforço para evitar com que Aécio fosse retratado como um homem que, mesmo que diante em um acidente corriqueiro, pudesse parecer vulnerável. Dessa forma, horas depois da queda, a assessoria do senador distribuiu uma foto dele com o braço na tipoia e um sorriso aberto nos lábios, fazendo sinal de positivo com o polegar esquerdo. O cenho franzido, contudo, entregava a verdade: com uma clavícula e cinco costelas quebradas, o homem estava com dor.

No mesmo ano, aconteceu outro imprevisto, desta vez mais grave. Em uma madrugada de domingo, no Rio de Janeiro, Aécio foi pego em uma blitz da Lei Seca e se recusou a fazer o teste do bafômetro. Mais uma vez Andrea entrou em cena para abafar o caso. Não havia apenas uma questão delicada em jogo (Aécio havia bebido antes de dirigir?). Quando foi pego na blitz, o senador guiava um dos carros de luxo (Land Rover) da frota de uma rádio da qual ele era sócio. Havia mais: naquele fim de semana, Aécio viajara ao Rio nas asas do jato Learjet prefixo GAF, que pertencia a uma empresa que tinha como sócio o presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), Oswaldo da Costa Borges Filho.

A Codemig não era uma empresa pública qualquer. Como gerenciadora dos bilionários recursos arrecadados com os royalties minerários do Estado, a companhia controlava algumas das maiores obras do governo de Minas, como a Cidade Administrativa, a megalomaníaca construção feita na gestão de Aécio como governador de Minas que consumiu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Borges da Costa Filho, por sua vez, também não era um subordinado qualquer. Ele era aparentado de Aécio (era casado com uma filha do padrasto do senador).

Durante anos, o caso dormiu em berço esplêndido nas gavetas das grandes redações do país. Você não ficou sabendo se Aécio havia bebido naquela noite, assim como não ficou sabendo nada sobre a rádio, muito menos sobre o avião. Nesses seis anos, houve tempo suficiente para investigar as relações de Aécio com Borges da Costa Filho, mas curiosamente também nenhum grande jornal, revista ou TV se interessou pela história. Os laços que uniam ambos só começaram a vir à tona neste ano, quando Marcelo Odebrecht afirmou, em delação premiada, que, mesmo antes de a licitação da Cidade Administrativa ser oficializada, a obra havia sido repartida entre um grupo de megaempreiteiras, entre elas, a Odebrecht. Segundo contou Marcelo Odebrecht, parte da propina, de 3% do valor da obra, foi paga em dinheiro a Borges da Costa Filho.

Cidade Administrativa de Minas Gerais, que teria processos de licitação fraudados.

Foto: Renato Cobucci/Imprensa-MG

Ainda em 2011, em meu blog, fiz vários posts sobre o Bafometrogate. Levantei informações sobre a recusa de Aécio em fazer o teste do bafômetro, sobre a rádio e sua frota de carros de luxo, sobre o jatinho e sobre as relações turvas de Aécio com Borges da Costa Filho. Aécio nunca respondeu de forma objetiva as questões por mim levantadas. Meu blog, por sua vez, começou a ser alvo de uma guerrilha de trolls, com uso agressivo de robôs, comandada pela militância do PSDB mineiro.

A blindagem da mídia gerenciada por Andrea produziu um político artificial com índices oficiais de aprovação dignos de um Saddam Hussein, chegando à casa dos 90%.

Por cima, tudo estava dominado. Mas, por baixo, havia quem teimasse em revelar a verdade. Isso aconteceu pela primeira vez de maneira mais efetiva em 2006, quando o rei foi colocado a nu por um estudante de graduação de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Naquele ano, cumprindo a obrigação acadêmica de apresentar um trabalho final de conclusão do curso, Marcelo Baêta se aventurou a fazer um documentário em vídeo sobre as relações de Aécio com a imprensa. Tendo Andrea Neves como personagem principal, o trabalho (Liberdade, essa palavra) escancarou o esquema de manipulação da mídia para proteger Aécio. Baêta conseguiu entrevistar jornalistas – inclusive um ex-diretor da TV Globo Minas – que diziam ter sido perseguidos e/ou demitidos por ousar divulgar informações que não eram do interesse de Andrea.

Coube, portanto, a um estudante de jornalismo mostrar que a mídia estava amordaçada. O documentário, claro, durante anos foi solenemente ignorado pela grande mídia. E Baêta depois sofreria na pele sua cota de repressão.

Em Minas, até as palmeiras imperiais da Praça da Liberdade sabiam que era um risco para os jornalistas desagradar a família Neves.

Em Minas, até as palmeiras imperiais da Praça da Liberdade sabiam que era um risco para os jornalistas desagradar a família Neves. A lista de repórteres e editores demitidos ou perseguidos é grande, e o clima de terror, verdade seja dita, acabou por produzir uma nefasta cultura de autocensura entre os profissionais mineiros. A blindagem comandada por Andrea era tão eficaz que a própria Andrea rarissimamente era notícia. Se Aécio tivesse sido eleito presidente da República em 2014, o que quase aconteceu, uma das figuras mais importantes de seu governo seria uma desconhecida da quase totalidade da população. Sem exagero, seria o mesmo que FHC ser eleito sem que ninguém soubesse da existência de seu fiel escudeiro Sérgio Motta ou como se Lula chegasse ao Planalto sem que o público tivesse ouvido falar em José Dirceu. Andrea inventou um Aécio teflon e ainda por cima cobriu-se com um manto de invisibilidade.

No ano passado, contudo, o escudo começou a falhar. No início do governo Michel Temer, em uma conversa gravada com o então ministro do Planejamento, Romero Jucá, em que discutiam uma forma de paralisar as investigações da Lava Jato, o ex-senador do PSDB Sérgio Machado disse duas frases que entrariam para a história: “quem não conhece o esquema do Aécio?” e “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio”. Para a grande maioria dos 51.041.155 eleitores do político mineiro, foi um susto. Aécio? Impossível!

Andrea Neves ao ser presa em Minas Gerais.

Foto: Reprodução

Meses depois, Benedito Jr., ex-presidente da Odebrecht, contou em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que Aécio recebera dinheiro sujo na campanha eleitoral de 2014, inclusive por meio de contratos de prestação de serviço forjados com o marqueteiro Paulo Vasconcelos, parceiro de Andrea Neves na construção da imagem do político mineiro. O testemunho que incriminou Aécio foi dado no processo aberto pelo próprio PSDB para questionar os gastos de campanha da chapa Dilma-Temer. O que fez Aécio? Apesar de o conteúdo das declarações já ter sido tornado público pela imprensa, ele pediu ao TSE para cobrir com uma tarja preta as menções a seu nome no depoimento, o que lhe foi concedido.

A blindagem estava comprometida, mas Andrea e seu irmão preferiam agir com um avestruz que enterra a cabeça na terra.

No fatídico 17 de maio de 2017, o planeta avatar ruim. Naquele dia, com a divulgação pelo jornal O Globo do conteúdo da conversa de Aécio com Joesley Batista, o grande público finalmente descobriu que a realidade era feia e suja.

Para aqueles que nada sabiam, bem-vindos à Matrix.

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Facebook Won’t Say If They’ll Use Your Brain Activity for Advertisements

22 May 2017 - 12:26pm

Every year, Facebook gathers hundreds of developers, corporate allies, and members of the press to hear CEO Mark Zuckerberg’s vision of our shared near future. The gathering is known as “F8,” and this year’s iteration included some radical plans, one of which could’ve been pulled from a William Gibson novel: Facebook is working on a means of using your brain as an input device.

Such technology is still many years off, as is, apparently, Facebook’s willingness to publicly think through its very serious implications.

Details on how the Facebook brain/computer interface would function are scant, likely because the company hasn’t invented it yet. But it’s fair to say the company has already put a great deal of effort into considering what capabilities such an interface would have, and how it will be designed, judging from its press announcement: “We have taken a distinctly different, non-invasive and deeply scientific approach to building a brain-computer speech-to-text interface,” the company says, describing the project as “a silent speech interface with the speed and flexibility of voice and the privacy of text,” with a stated goal of allowing “100 words per minute, straight from the speech center of your brain.” This process will be executed “via non-invasive sensors that can be shipped at scale” using “optical imaging” that can poll “brain activity hundreds of times per second.”

“The privacy of text” is an interesting turn of phrase for Facebook, which has, like its competitor Google, built itself in to a multi-hundred-billion-dollar company more or less on the basis of text typed into a computer not being private but rather an excellent vector through which to target advertising. For its thought-to-text project, Facebook claims it’s built a team of “over 60 scientists, engineers and system integrators” from some of the most esteemed research universities around the U.S. (headed by a former DARPA director, no less). Privacy concerns drove some of the very first questions from journalists after the F8 announcement, including in this passage from The Verge:

[Facebook research director Regina] Dugan stresses that it’s not about invading your thoughts — an important disclaimer, given the public’s anxiety over privacy violations from social network’s as large as Facebook. Rather, “this is about decoding the words you’ve already decided to share by sending them to the speech center of your brain,” reads the company’s official announcement. “Think of it like this: You take many photos and choose to share only some of them. Similarly, you have many thoughts and choose to share only some of them.”

Facebook was clearly prepared to face at least some questions about the privacy impact of using the brain as an input source. So, then, a fair question even for this nascent technology is whether it too will be part of the company’s mammoth advertising machine, and I asked Facebook precisely that the day the tech was announced: Is Facebook able to, as of right now, make a commitment that user brain activity will not be used in any way for advertising purposes of any kind?

Facebook spokesperson Ha Thai replied:

We are developing an interface that allows you to communicate with the speed and flexibility of voice and the privacy of text. Specifically, only communications that you have already decided to share by sending them to the speech center of your brain. Privacy will be built into this system, as every Facebook effort.

This didn’t answer the question, so I replied:

My question is this: Is Facebook able, as of right now, to make a commitment that user brain activity will not be used in any way for advertising purposes of any kind?

To which Thai replied:

Sam, that’s the best answer I can provide as of right now.

Fair enough — but also an implicit answer that no, Facebook is at least at the moment not able to assure users that their brain activity will not be appropriated to sell ads. This is of course not an indication that the company will do this, only that they are not prepared to rule it out. And to be sure, this is still a hypothetical — it’s possible the company’s neural keyboard will remain somewhere between vaporware and marketing stunt, as has been the case with its solar-powered flying internet relay, or Amazon’s national delivery drone fleet.

But while the tech may be far off, its privacy implications aren’t far fetched — ignore at your own peril Facebook’s history of experimenting with the thoughts of its users, whether by deliberately manipulating their emotions or by putting their faces on advertisements without consent (“They trust me — dumb fucks,” Zuckerberg famously quipped to a friend via IM as he built Facebook in his Harvard dorm).

Facebook’s interest in mental typing was certainly noted by neuroethicists; for them, it helped underline that recent breakthroughs in brain-computer interfaces, or BCIs, really will bring what was once a science fiction scenario into the real world.

“I worry a little about whether we’ve given enough thought about what it means to no longer have control over a zone of privacy,” Dr. Eran Klein, a neurology professor at Oregon Health and Sciences University and neuroethicist at the Center for Sensorimotor Neural Engineering, told me. “One of the things that makes us human is we can decide what stays in our mind and what comes from our mouth.”

Any inadvertent spillover from our inner monologues to online servers could have profound consequences: In society, “If you have a prejudice but you’ve worked diligently to squash that prejudice, that says something good about your character,” Klein pointed out. But if, thanks to your handy Facebook Neuro-Keyboard, “now if all those prejudices are open for other people to see and be judged, it opens up a whole different way of evaluating peoples moral character and moral choices.”

The importance of thinking things but leaving them unexpressed or unarticulated is fundamental to humanity, society, and morality — and it’s a line Facebook has stomped all over in the past. In 2013, Facebook published a study detailing how it had been recording and storing not just text that had been typed and published on its website, but also text users had written but then decided against publishing and deleted for whatever reason. The study’s authors lamented that “[Facebook] loses value from the lack of content generation” in such cases of “self-censorship.” Should users trust a company that so failed to grasp the essential intimacy of an unpublished thought with a line into their brains?

Facebook’s assurance that users will be able to easily toggle between what thoughts that should and should not be transmitted to Facebook’s servers ring true to Klein, who points out that an intrinsic part of speech is that you don’t have to think about each word or phrase before you speak it: “When we’re engaged in a conversation I don’t have this running dialogue that comes up before my minds eye that I say yes or no to before it comes out of my mouth.” Facebook’s announcement made it seem as if your brain has simple privacy settings like Facebook’s website does, but with speech, “If you have to make a decision about every little thing, it becomes exhausting,” and would carry what neurologists call a “high cognitive load.” Klein added that, far from being able to switch between public and private thoughts on the fly, “the only way these technologies really will become part of our second nature is if they become subconscious at some level,” at which point Facebook’s “analogy with photographs” — that “you take many photos and choose to share only some of them” — “breaks down, because then you’re not consciously choosing each thing to let through the sieve.” The whole thing comes down to a sort of paradox, according to Klein: For this technology to be useful, it would have to be subconscious, which precludes the kind of granular privacy decisions described in Facebook’s PR comments.

Howard Chizeck is a neuroethicist and professor of electrical engineering at the University of Washington, where he also co-directs the school’s Biorobotics Laboratory. Like Klein, Chizeck thinks Facebook might be overestimating (or oversimplifying) how easy it could be to switch your brain into some sort of “privacy mode” for consciousness: “I doubt that you can precisely choose words you want to ‘think’ to an external system, versus verbal thoughts that occur otherwise.” Chizeck added that such activity “may look sufficiently different in different people’s brains, and under different conditions” (e.g. if you’re drunk or exhausted) so as to make Facebook’s project difficult to ever pull off. Even if it does prove possible to somehow cherry pick thoughts intended for speech, Chizeck adds that there’s a risk of other thoughts bleeding through (and onto Facebook’s servers): “even if it is possible to see words that are desired to be sent, other brain signals might also be monitored…which is a privacy concern.”

As for the advertising potential (and other spooky what-ifs), Klein doesn’t think it’s too soon to start asking Facebook for serious answers about its serious research: “I would favor assurances that they need to be transparent about what they’re actually recording and how it might be used for advertising,” even in these early days. The necessity to make brain-to-text input streamlined and subconscious makes the advertising implications even dicier: “If it’s subconscious, you don’t have conscious control over what information companies get about you … so you could be targeted for ads for things you don’t even realize that you like.”

Both Klein and Chizeck said that Facebook, rather than deferring on the most obvious privacy questions, should set out its principles on brain research from the get-go: “I think that they should design their system, from the beginning, with privacy a consideration,” said Chizeck. “Ultimately I think that there is a need for standards (developed by an industry/professional society/government consortium), with mechanisms for self-enforcement by industry, and oversight by government or third parties.” Klein also thinks it’s important for private sector entities like Facebook conducting what could become pioneering scientific work to establish ground rules in advance, to “lay out ahead of time what their values are and what the vision is.” Klein concedes that Facebook “can only predict so much, but I think that if you just let the technology drive everything, then I think ethics is always the dog trying to catch the car.”

Top photo: Facebook CEO Mark Zuckerberg delivers the keynote address at Facebook’s F8 Developer Conference at McEnery Convention Center in San Jose, Calif., on April 18, 2017.

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Jeff Sessions Wants to Put More People in Prison. His Home State of Alabama Is Doing the Opposite.

22 May 2017 - 11:32am

Attorney General Jeff Sessions penned a memo to federal prosecutors in early May asking them to stop seeking lenient sentences for drug offenders and instead seek “the most serious, readily provable” charges.

It marked a reversal from modest reforms made under the Obama administration, and a signal that the Department of Justice will be ramping up policies that contribute to mass incarceration.

But back home in Alabama, which elected Sessions to the U.S. Senate four times, the Republican-led state government has done the opposite — embarking on criminal justice reforms that have lowered the state’s prison population.

Alabama’s prisons are among the most overcrowded in the country; the Alabama Department of Corrections noted in its annual report for fiscal year 2014 that its “facilities operate at about 190 percent of capacity.”

It began to tackle that problem in 2013, with sentencing reform for certain nonviolent crimes that made it more likely that courts would steer some convicted criminals away from incarceration.

In February 2014, the legislature followed up on these reforms by creating the Prison Reform Task Force. This task force put forth a set of recommendations that formed the basis of Senate Bill 67, which in 2015 passed unanimously in the Senate and by a 100 to 5 vote in the House.

SB 67 aimed to reduce Alabama’s prison population by 4,500 over five years through a combination of reforms including reducing penalties for some nonviolent and drug crimes and expanding parole and supervision to reduce the number of people going to prison.

“We want the bad guys behind bars. But at the same time, we can’t afford to put everybody behind bars,” Alabama’s Republican House Speaker Mike Hubbard told the local press. “What we’re trying to do is be smart on crime. We obviously want to punish people.”

Bennett Wright is the executive director of the Alabama Sentencing Commission, which has been in charge of looking at reforms and advising the state on how to proceed. He explained the impacts of Alabama’s reforms to The Intercept.

“The Alabama Department of Corrections has custody of approximately 4,000 inmates less than it did October 1, 2013,” he said of the impact of reforms that began that year. “So the actual custodial population is down about 4,000 which represents a drop of almost 15 percent.”

Simultaneously, Wright said, there has been no increase in crime.

“I have seen no information that represents an uptick of crime statewide,” he said. “So I have yet to see any statewide information that shows that crime has increased in the state of Alabama. So I really think one of the first big benefits in the change of criminal justice policy is it has not endangered or decreased public safety in the state of Alabama.”

Top photo: Prisoners stand in a crowded lunch line at Elmore Correctional Facility in Elmore, Ala., on June 18, 2015.

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Landslide Win for Iran’s Reformists Doesn’t Fit Trump’s Script, So He Ignores It

21 May 2017 - 5:36pm

The hypocrisy of America’s support for unelected despots in the oil-rich Gulf states is not new, but Donald Trump’s lavish praise for them on Sunday, as allies against “Islamist extremism” and “the oppression of women,” was particularly striking, coming one day after Iranian voters danced in the streets to celebrate their reformist president’s landslide re-election.

Past midnight in #Tehran, #Iran and no end in sight to #IranElections2017 festivities.
These folks are just happy! pic.twitter.com/P9E0szU8HK

— Ladane Nasseri (@LadaneNasseri) May 20, 2017

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— Reihane Taravati (@reihanetaravati) May 20, 2017

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— ela? (@elahakbari) May 20, 2017

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— Babak (@Arbaks) May 20, 2017

As Iran’s moderates celebrated on Saturday night, Trump and members of his cabinet were dancing with swords in Saudi Arabia.

Trump: this is beautiful!
King: this is the war dance
Trump: I can see that! #TrumpCantDance pic.twitter.com/0ViNgHhmoo

— Weddady (@weddady) May 21, 2017

Speaking in the Saudi capital of Riyadh on Sunday, Trump made no mention of the scenes in Iran or of President Hassan Rouhani, whose diplomatic engagement with the West over Iran’s nuclear program helped to avert the war American allies in the region, including the Gulf states and Israel, seemed to be still hoping for.

Trump says all nations must work together to isolate Iran pic.twitter.com/9XZ9gapDwC

— Roxanne Emadi (@roxanneemadi) May 21, 2017

Instead, the American president promised the monarchs and autocrats in the room that he would work with them “to isolate Iran.” He also promised, bizarrely, “to help our Saudi friends to get a good deal” from American arms makers.

Trump: "We will be sure to help our Saudi friends to get a good deal from our great American defense companies" pic.twitter.com/6muFOmlwVP

— David Vujanovic (@DavidVujanovic) May 21, 2017

As Trita Parsi of the National Iranian American Council observed, Trump seemed to be in full agreement with his host, King Salman of Saudi Arabia, who called Iran’s government “the spearhead of global terrorism.”

Trump is now copy pasting Saudi talking points on Iran. Everything is Iran's fault. Always.

Laying the ground work for war#TrumpinSaudi

— Trita Parsi (@tparsi) May 21, 2017

After the speech, Trump accompanied King Salman, President Abdel Fattah el-Sisi of Egypt and other leaders to open a new Global Center for Combating Extremist Ideology in Riyadh.

Sisi, Saudi King and Trump put their hands on a glowing orb pic.twitter.com/9aKXl2prjW

— Sylvia Westall (@s_westall) May 21, 2017

In meetings with other monarchs earlier on Sunday, Trump assured the King of Bahrain that relations between the two nations would no longer be strained by a brutal crackdown on pro-democracy protesters, and said his discussion with the Emir of Qatar would focus on “the purchase of lots of beautiful military equipment.”

Fun fact: The US arming Arab regimes & supporting their tyranny over their citizens & minorities fuels resentment and Islamic terrorism.

— Nesrine Malik (@NesrineMalik) May 20, 2017

As the vote-counting in local elections in Iran continued on Sunday, the contrast between Saudi Arabia’s absolute monarchy and the partial democracy there became even more stark with the news that moderates had also won sweeping victories in Tehran and other cities.

Confirmed. Reformists have all seats in Tehran. #IranElections2017 https://t.co/N6GQwO7DlO

— Sadegh Ghorbani (@GhorbaniSadegh) May 21, 2017

Moderates win all seats in local #Iranelection2017 in Tehran, Karaj and Mashad so far. Wow. #Iran

— Dina Esfandiary (@DEsfandiary) May 21, 2017

Iran’s foreign minister, Mohammad Javad Zarif, offered a Twitter rebuttal to Trump, suggesting that his support for the Saudi king was driven mainly by the opportunity to sell billions of dollars in American weapons to the kingdom.

Iran—fresh from real elections—attacked by @POTUS in that bastion of democracy & moderation. Foreign Policy or simply milking KSA of $480B? pic.twitter.com/ahfvRxK3HV

— Javad Zarif (@JZarif) May 21, 2017

We derive stability not from "coalitions", but from our people, who -unlike many- do vote. Iranians must be respected & are ready to engage.

— Javad Zarif (@JZarif) May 20, 2017

Even as Rouhani’s supporters celebrated, however, there were reminders of the limits on democracy in Iran — where the elected president serves under the country’s ruling cleric, Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei.

In many places, cheers for Rouhani’s victory were accompanied by chants in support of Mir Hussein Mousavi and Mehdi Karroubi, reformist leaders who have been under house arrest since encouraging post-election protests in 2009.

Ghosts linger: "Ya Hossein, Mir-Hossein," Iranians in Tehran chant using slogan from 2009 uprising as they celebrate @HassanRouhani victory. pic.twitter.com/IpdVjXIz3A

— Borzou Daragahi ?? (@borzou) May 20, 2017

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Deported to El Salvador, Trapped Between the Gangs and Trump

21 May 2017 - 10:47am

Thousands of miles from his home and family, Jose Escobar lives in a small rural community in La Unión, El Salvador, amid fields of sugar cane and corn, bordered by the Chaparrastique volcano and the Gulf of Fonseca. Escobar, 31, is desperate to leave El Salvador but feels trapped. He was deported from the United States on March 2.

Escobar immigrated to the U.S. with his mother as a teenager and built a life there. He got married, had children, and made a good living running a painting company and managing a construction firm in Houston. Before he was deported, he said, he spent a lot of time hiding markers and pens in his home from his nearly 2-year-old daughter, who had recently discovered the joys of drawing on walls. After 17 years in Houston, Escobar became one of more than 40,000 people arrested for deportation by Immigration and Customs Enforcement between January and May under President Trump’s “bad hombres” pledge. But Escobar, like nearly 11,000 others who were arrested, had no criminal record. He was a prominent member of the local community, and his wife and children are U.S. citizens.

Escobar used to be a legal resident of the U.S. with temporary protected status but he lost that status when he was a teenager after his mother missed a deadline to file for renewal. When he tried to re-apply in 2006, an immigration court had already issued a removal order. After an outcry in the local community, ICE gave Escobar permission to stay and work in the country if he checked in annually. This year when Escobar checked in, officials detained him, deporting him days later.

Deportations had already reached a historic high under President Obama, but the Trump administration has targeted groups, like university students and longtime residents, who were previously protected or at least tolerated.

As in the U.S., the power of Trump’s rhetoric in El Salvador is the image it sells, said Gerardo Alegría, an official at the government Human Rights Ombudsman’s office in San Salvador. The numbers of deportees were already “scandalous” under Obama, Alegría said, but the “speculation and fear” Trump has caused led the Salvadoran government to build up deportee assimilation programs. “The need for this isn’t new,” he said, “but we can take advantage of the atmosphere to improve the services and legal support that everyone needs to defend their rights.”

Escobar and his wife, Rose, are challenging the legality of his deportation, as is Texas state Sen. Sheila Jackson Lee.

The day he was deported, Escobar walked off the plane in El Salvador in shock. Most of the other deportees on his flight hadn’t spent more than a few years living in the U.S. and they knew what to expect. A government representative from the “Welcome Home” program for los retornados met the deportees and offered them a meal, basic information on the security situation in the country, and a pamphlet on job opportunities with call centers. They loaded them into a van and took them for further processing to a police station located in one of San Salvador’s most violent neighborhoods, La Chacra, which straddles the territory of all three of El Salvador’s major gangs and is thus divided by invisible borders and gunfire.

“It made me remember my days at school in the Inframen, the shootouts,” Escobar said, referencing the public school he attended in San Salvador before emigrating, where nascent gangs took root before spreading across the country. That violence was the reason his mother sent him to Houston at age 15. “I didn’t want to be around there. So I considered going to Mejicanos,” he said, referring to a community where he had lived before emigrating, “but that has totally changed, who controls what, the gangs, that’s different.”

Escobar would be a stranger in Mejicanos now, and if he went there, he might not make it out alive. So he and another man from his plane pooled their cash and found a driver who taxied them three hours to the bridge over the Lempa River, where Escobar’s aunts, notified by a phone call from Rose, were waiting for him.

At home in Houston, Escobar earned between $120,000 and $130,000 annually, he said, and he had paid taxes since 2005. Like many immigrants, he also sent money home to El Salvador. After first arriving in the U.S., Escobar attended high school but soon left to work in a contracting business to support his family. There, he learned to shampoo carpets, lay tile, and do apartment maintenance. He moved on to other companies and eventually worked his way to manager. His employees respect him for his familiarity with the work, he said. “I used to be one of them, and I know how hard the work is,” he said. “We have trust.”

In La Unión, Escobar is struggling to adjust. His offhand cultural references — he joked that our cameras following him around the house were eerily similar to “The Blair Witch Project” — constantly remind him and the two aunts and three cousins who live in the house that he’s out of place. The ubiquitous violence means Escobar can’t ever leave the house alone. When I asked his aunt Emilia whether the neighborhood was dangerous, she answered the way anyone well-adjusted to violence would: “No. We just lock all the windows and doors at 8 p.m. and don’t go out anymore.”

This is not easy for his Salvadoran family. Aunt Emilia, with light blue eyes and gray hair in a ponytail, rolled a mound of soap over one of Escobar’s white undershirts at the concrete outdoor sink. “We don’t leave him alone in the house,” she said. “We take him to church with us on Sundays.” Her 26-year-old son acts as a bodyguard because he’s known to local police and gang members, so he takes Escobar for a daily walk to the corner store to buy a soda. The rest of the time Escobar remains inside, sitting or pacing the house. Emilia scrubbed the shirt and watched Escobar on a bench scrolling through his phone for the latest American news. “His kids,” she murmured, as if trying not to scare him away. “He’s crazy to get back to his kids.”

Escobar also worries about his wife, Rose. “She gets home from a long day at work and she has to switch the mental chip to ‘Mom.’ Then the kids go to bed and late at night she switches the chip again to do my legal defense,” he said. “It’s all on her shoulders. And I can’t do anything to help her.”

In a grassy roundabout near the entrance to the Escobars’ neighborhood in La Unión stands a giant concrete cross, a memorial to Archbishop Oscar Romero, murdered by the Salvadoran army in 1980 for denouncing militarism and injustice. Romero had decried the economic violence that forced people to flee home. “It is sad to have to abandon one’s homeland,” he once said in a homily from 1978, “because there is no just system where work can be found.”

Romero might as well have been talking about the Escobars. When Jose and his mother left 17 years ago, they were fleeing violence. They sent money back to support those who stayed. Now deportation divides the Escobar family again. Jose is caged in this house that his U.S. salary helped build. His aunts are desperate to alleviate his pain, but they feel helpless.

In Houston, Rose does her best to keep her husband present. “I try to make sure Jose’s there, like when we’re eating dinner. I’ll call so we can have our conversation like we always used to do, where Walter goes, ‘So daddy, how was your day today? Mommy, how was your day today?’”

Rose has installed cameras inside the house so Escobar can feel as if he were home, too, and around midnight every evening he activates the house alarm in Houston from his cellphone in La Unión. “I don’t want to just leave them.”

To pass the time, Escobar decided several weeks ago to build a bigger cage for his aunts’ green parakeets. He stroked an iron bar of the new cage and explained why. “They couldn’t fly.”

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Congressman Lamar Smith of Texas Has a Problem with Science – and with Voters

20 May 2017 - 7:50am

For most of his four years as chair of the Science Committee, Republican Congressman Lamar Smith of Texas has served up more spectacle than policy. As arguably the showiest climate denier and opponent of environmental regulations in Congress, Smith has orchestrated climate change hearings that are the scientific equivalent of pro-wrestling matches. Stacked with skeptics who mocked mainstream climate science, they offered virtually no chance for significant dialogue. Similarly, Smith’s challenge to the well-documented relationship between air pollution and lung disease was seen as little more than a craven nod to the energy companies that were responsible for that pollution. And his repeated use of his subpoena power has served mostly to attract attention and make life difficult for the scientists and government workers he has targeted.

But Smith, who has boldly argued against funding for an institute that studies the toxicity of substances such as lead and asbestos, and has rushed to the defense of Monsanto’s RoundUp, is no longer just throwing bombs from the margins. With Trump in the White House and Scott Pruitt at the helm of the EPA, Smith now has the power to turn his visions of regulatory rollback into realities.

Already this session Smith revived two bills that, before the election, had been dismissed as nuisances. The Honest Act, which grew out of a strategy developed by the tobacco industry, is designed to prohibit the EPA from using public health research; the other bill is crafted to allow industry representatives to serve on scientific boards. In March, both became law.

And Smith just helped industry score another long-shot victory that would have been unthinkable before Trump. Back in 2015, after the EPA concluded the Northern Dynasty Minerals Company’s proposed 30-square-mile gold and copper mine would result in the destruction of up to 94 miles of streams and 5,350 acres of Alaskan wetlands and endanger the region’s salmon resources, one of the world’s largest, the agency limited the company’s ability to get permits for the project. So Northern Dynasty sought help from Smith.

A 2007 view of the Pebble mine project test drilling in the Bristol Bay region of Alaska near the village of Iliamma, Alaska, developed by Northern Dynasty Minerals Ltd. and Anglo American near some of the world’s most productive wild salmon streams.

Photo: Al Grillo/AP

In October 2015, Smith fired off a letter charging that the EPA had reached its decisions about the mining project before conducting its scientific study. The next month he held a hearing, to which he invited the CEO of Northern Dynasty so he could make the case for the mine himself. And in April 2016 Smith’s committee held another hearing about the mine in which Smith argued that the EPA had colluded with local groups opposed to the project.

At that point, financial concerns along with opposition from broad range of Alaskans, including native groups and commercial fisherman, had dimmed the chances that the company would ever plumb the Alaska wilderness for gold — so the crusade seemed like more of Smith’s trademark political theater. After the presidential election, however, Smith’s pet project took a different turn. In February, he sent another letter to the EPA about the mine, this one bearing congratulations to the recently confirmed EPA administrator, Scott Pruitt, and explaining that EPA’s intervention in the project was based on a “questionable scientific assessment.” Last week Pruitt reversed the EPA’s stance, clearing a path for Northern Dynasty to move forward.

Smith has always been well liked by the energy industry — he has received more than $700,000 from the oil and gas industry over the course of his career, more than from any other sector — but his newfound power has clearly delighted climate deniers, as evidenced by the hero’s welcome he received when he gave the keynote address at the Heartland Institute’s Climate Conference in March.

Not everyone is pleased with Smith’s successes on behalf of polluting industries. National environmental groups are beginning to target Smith for being “one of the worst climate change deniers in Congress,” as Craig Auster of the League of Conservation Voters described him. And just as he is reaching the height of his power in Washington, Smith is facing a wave of outrage from constituents in Texas that could present the first real challenge for his seat in 30 years.

House Science, Space and Technology Committee Chairman Lamar Smith (R-TX) holds up a copy of TIME Magazine with a cover article about ‘near-Earth objects’ during a hearing in the Rayburn House Office Building on Capitol Hill in 2013 in Washington.

Photo: Chip Somodevilla/Getty Images

In many ways, Lamar Smith is an odd choice to chair the House Committee on Science, Space and Technology, a perch from which he has at least partial jurisdiction over NASA, the Department of Energy, the National Science Foundation, the Federal Aviation Administration, and the National Institute of Standards and Technology, FEMA, the U.S. Fire Administration, the Environmental Protection Agency, the National Oceanic and Atmospheric Administration, the Agency for Toxic Substances and Disease Registry, the U.S. Geological Survey, the Department of Energy, and the Federal Aviation Administration.

A lawyer who majored in American Studies and worked briefly as a business reporter before entering Congress, Smith doesn’t have a background or a degree in science. Like many Christian Scientists, he seems to eschew medicine. (Smith’s first wife, Jane, who was trained in the Christian Science practice of healing through prayer, died in 1991 in a Christian Science hospice, reportedly after refusing medical treatment.)

Smith often says he is seeking a return to “sound science” with his efforts to roll back regulation. But he is facing growing criticism from scientists and environmentalists around the country for making a mockery of the House Science Committee, or “the Exxon Committee on Science Fiction,” “the POTUS Ad Agency,” and “the environment-ruining dream team,” as some of its many haters on Twitter have referred to it.

The House Science Committee hasn’t always elicited such reactions. “It used to be a committee that was basically nonpartisan,” said Rep. Eddie Bernice Johnson, the ranking Democrat who has served for 24 years on the committee. “We always had meaningful dialogue,” Johnson told me. “But it’s gotten to the point where we are labeled as a scientific committee made up of people who don’t believe in science. This is the most extreme experience I have had.”

Perhaps no one is more familiar with that extreme partisan atmosphere than Michael Mann, a climate scientist who has been mocked and jeered by Smith. “He’s a henchman,” Mann said of Smith. Both men went to Yale, and Mann said he believes the Congressman is well educated and smart enough to know that what he’s saying about climate change isn’t true. “That leaves only two possibilities: First, that it isn’t the science he’s rejecting, it’s the implications he doesn’t like. The other possibility is that he’s doing the bidding of the powerful fossil fuel interests that fund his campaigns.” Either way, said Mann, “He’s setting the world back.”

A Republican from an oil state now serving his 16th consecutive term in Congress, Smith has never faced a serious electoral challenge. When he first ran for Congress in 1986, he won with more than 60 percent of the vote. The next time out, he got 93 percent. And he has enjoyed comfortable victories since. For four of those elections, the Democrats in his strangely shaped district, which includes San Antonio as well as parts of Austin and Texas Hill Country, didn’t even bother putting up a candidate.

The first visible signs that the political tide was beginning to turn emerged in October, when his hometown paper, The San Antonio Express News, declined to endorse his re-election bid. In an editorial, the paper took issue with what it called “his bullying on the issue of climate change.” The results of a poll published 10 days later showed eroding support for Smith, with 45 percent of voters saying they were less likely to vote for Smith after learning he had taken Exxon Mobil’s side in the dispute over the company’s handling of climate change.

But the real shift came on election day, when Trump got 52 percent of the vote in the 21st district. As elsewhere, many of those who didn’t vote for the president found themselves in an emotionally and politically heightened state. After seeing many of these distraught people in his office, a San Antonio therapist named Jason Sugg decided to start a support group. Ten people attended its first meeting in January. Four months later, more than 4,200 people have joined what has become the TX21 chapter of Indivisible, including some life-long Republicans who supported Smith in the past.

Perhaps the strongest indicator of the opposition to Smith is the extent to which it has attracted people who haven’t been politically involved before.

Members of TX21Indivisible and 314 Action deliver science textbooks to Representative Lamar Smith’s Austin office for Earth day April 22, 2017.

Photo: Steve Shackelford

“He is making enemies of people who do not want to be activists, who would rather take home their six-figure salaries, drop a check in the collection plate on Sunday morning, and let someone with social justice expertise figure out what to do with it,” said Whitney Williams, one of Smith’s constituents and a member of the Indivisible group. In particular, Williams, a technologist, took issue with Smith’s attacks on government scientists, which “spark indignant fury among those of us who dedicate our lives to delivering the promise of technology.”

While the group initially emerged to fight Trump, the presidential race focused Smith’s constituents on their congressman’s environmental policies, which in turn has helped fuel an explosive wave of energy to unseat him. Smith had no Democratic challengers in 2014 and only one poorly funded opponent last year. But with a year-and-a-half still to go before the next election, nine people have already announced their intention to run for his seat. While they span the spectrum from Joseph Kopser, a NRA-supporting former Republican to Derrick Crowe, who describes himself as an “unabashed nerd and unrepentant pacifist,” all have taken issue with Smith’s stance on climate.

The race to unseat Smith has also drawn attention from national environmental groups. 314Action, a new group dedicated to helping scientists run for public office, is targeting Smith through its “Under the Scope” program. The group plans to invest in ads for the winner of the primary, according to Ted Bordelon, communications director 314Action, who described the group as an “Emily’s List for Nerds.”

Anti-Smith sentiment has even emerged in the Hill Country, the reddest and most rural part of Smith’s district. On a recent Saturday, a group of local residents gathered under a live oak tree on the ranch of Joyce Humble and Terry Casparis to talk about unseating their congressman. Most had met one another in the months since the election. “I didn’t know anyone out here who was like-minded before the election,” said Humble, a retiree who spends about 20 hours a week doing political work. “Now I know tons of people!”

Ashley McAllen, who sat across from Humble, is a physician who has temporarily stopped practicing medicine to devote himself to progressive politics in the area. While the Hill Country is still a Republican stronghold, McAllen said growing concerns about water entered politics here after the area underwent a severe drought a few years ago. “More people here believed in global warming during that drought than ever before,” said McAllen. Though the rains have returned, some wells are still running dry, and McAllen feels that Smith’s climate denial will clash with locals’ knowledge that climate change is already affecting them. “They know something is different. They can see it in their creeks.”

Colin Strother, a Democratic consultant who lives in the 21st district, agrees that changing environmental realities are affecting Texas politics. “Water conservation and aquifer storage and recovery, these are conversations that are happening in every single community in Smith’s district as a matter of survival,” said Strother. “Everyone is dealing with issues that 20 years ago no one had ever heard of.”

Yet Strother believes whoever winds up challenging Smith still faces long odds. The only way to win, according to Strother, is to focus on all of Smith’s vulnerabilities, including his inaccessibility to constituents. “When LBJ represented this district, he used to hover his helicopter and yell down to farmers through a bull horn. But if you’re not a member of the Republican club or part of the wealthy moneyed donor community, you’re never going to see Smith,” said Strother. Defeating Smith, he said, will require bringing environmentalists together with “people who want the son of a bitch to show up once and a while.”

The absence of their congressman has been a recurrent theme for TX21 Indivisible, which since January has been regularly requesting Smith’s presence at a town hall meeting. One member composed a song inviting Smith to meet with her. Others have made cardboard cutouts of Smith to stand in for him. And for the past few months, a small group has visited Smith’s San Antonio office every Tuesday morning to express their concerns and ask their congressman to speak with them in person.

Trish Florence is a regular at these meetings. The single mother of two autistic sons, Florence never felt she had time for political activism. But since the election she has spent up to 20 hours each week planning protests, making signs, and otherwise holding her elected officials accountable. “I don’t feel like I have a choice,” said Florence, who recently helped deliver a “severance package,” complete with a giant pink slip and model of the earth, to Smith’s office. After he voted for TrumpCare, Florence left her congressman another gift: photos of her boys with lists of their preexisting conditions written on the back.

A few weeks ago, one of Florence’s sons tagged along on a Tuesday visit. Jack is 11 and extremely worried about climate change. When one of Smith’s staffers came out to greet them, Jack explained the science behind global warming — how greenhouse gases can trap the sun’s heat and cause the earth to heat up. Florence hopes the meeting was helpful for Jack. “He learned that he can do something and can have a voice,” she said. Smith’s takeaway was less clear. He wasn’t in the office, though his staff member promised to deliver the message.

Top photo: Rep. Lamar Smith, R-Texas, leaves the House Republican Conference meeting in the basement of the Capitol in 2013. Now serving his 16th consecutive term in Congress, Smith has never faced a serious electoral challenge.

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Enquanto Planalto minimiza gravação, veja pontos comprometedores de conversa entre Temer e Joesley

19 May 2017 - 8:11pm

“A montanha pariu um rato.” Foi essa uma das primeiras falas do presidente Michel Temer sobre a gravação da sua conversa com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. A alarmante naturalidade com que o presidente tratou as gravações é ressonante ao tom de suas próprias falas captadas pelo gravador: enquanto o empresário relatava ter comprado juízes e procuradores — o que configura crime de obstrução de investigação — o presidente não apenas mostrou aprovação a tudo, como o incentivou.

Entre outras reações noticiadas de Temer sobre o áudio, ele disse “é só isso?” ao terminar de ouvir a gravação. Parafraseando a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia: “e isso não é só; e isso não é pouco”.

Joesley foi à casa de Temer na calada da noite para lhe dizer que, enquanto investigado, estava dando “conta” de um juiz e de seu juiz substituto e que ainda pretendia “dar conta de trocar o procurador” que estaria atrás dele. E qual foi a resposta do presidente? “Ótimo, ótimo…”

Após a queda do sigilo do áudio, Temer lançou nota pública afirmando que, durante a conversa, não estava acreditando no que Joesley dizia e que achava que o empresário estava a “contar vantagem”. Ou seja: um homem confessa crime de obstrução de inevstigação ao presidente da República e, em vez de recriminar, o chefe do Estado classifica a fala como um ato de orgulho. Questionado pelos procuradores que receberam a sua delação, Joesley afirmou que estava “blefando” sobre a compra dos juízes. Caberá ao Ministério Público Federal investigar a veracidade dessa afirmação, assim como todas as outras feitas na delação de Joesley.

Acusações de adulteração

Outra reação do Planalto foi acusar o delator de alterar digitalmente o áudio, que conta como prova para a delação de Joesley, o que acabaria por também ser uma obstrução de investigação. A qualidade do som, de fato, é péssima — lembrando que se trata de algo gravado por um gravador não profissional, escondido no bolso de um paletó —, ainda assim, a conversa gravada é reveladora. Mostra a ciência, a aprovação e o estímulo de Temer sobre as falcatruas de Joesley. Os pagamentos pelo silêncio de Eduardo Cunha são apenas uma pequena parte.

A conversa também evidencia o nível de interferência que Joesley tinha [ou acreditava ter] no governo por conta a abertura e o incentivo que o presidente e outros membros lhe davam. Isso se mostra presente não apenas em relatos que Joesley faz de obstrução de investigação e de sua influência nas escolhas de procuradores, mas também na troca de dois interlocutores sobre uma forte interferência que o empresário teria — usando o nome e o consentimento do presidente — no Ministério da Fazenda.

Para facilitar a leitura (e para que os leitores tirem suas próprias conclusões) selecionamos os trechos mais comprometedores sobre Eduardo Cunha,obstrução de investigação, controle da mídia para abafar delações e intervenções no ministério da Fazenda.

Leia a transcrição completa aqui, e ouça abaixo toda a conversa.

Eduardo Cunha

Joesley: Como é que o senhor tá nessa situação toda aí do Eduardo [Cunha], não sei o quê… [inaudível]

Temer: O Eduardo resolveu me fustigar, né… você viu que…

Joesley: Eu não sei, como é que tá essa relação?

Temer: Ah, tá… bem difícil… Tá esperando a ordem da defesa… Julgou… indeferiu 21 perguntas dele que não têm é nada a ver com a defesa dele. Era pra… me trutar. Eu não fiz nada com ele… [ruído] No Supremo Tribunal Federal. Ó só [ruído]um, dois, fatalidade… [ruído]. E tá aí, rapaz…  é… aí eu [ruído] inclusive, mas… [ruído] meus onze ministros… [ruído]

Joesley: Mas eu queria falar, muito aqui na…. [ruído] Dentro do possível eu [ruído] fiz o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha que, alguma pendência daqui prali zerou e tal. [ruído] E olha que dei tudo e ele foi firme em cima, ele já tava lá [preso em Curitiba]. Veio, cobrou, tal, tal, tal… Eu, pronto! Acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que, caiu aqui né, que o Geddel sempre tava…

Temer: [inaudível/ruído]

Joesley: Isso… Geddel que andava sempre ali.

Temer: É…

Joesley: Mas o Geddel também com esse negócio, eu perdi o contato, porque ele virou investigado. Agora eu não posso…

Temer: É… é complicado, é complicado.

Joesley: Também eu não posso encontrar ele.

Temer: [inaudível/ruído]

Joesley: Isso, isso…

Temer: [inaudível] perigosíssimo, isso…

[ruído]

Joesley: Negócio dos vazamento… o telefone lá do [ruído] Eduardo com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê… eu tô lá me defendendo. [ruído] Como é que eu… O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo….

Temer: É?

Batsita: É…

Temer: Tem que manter isso, viu.

Joesley: Tô… [inaudível]

Temer: É…[inaudível]

Joesley: Não, todo mês…

Temer: [inaudível]

Joesley: Também….

Temer: É…

Joesley: Eu tô segurando as pontas, tô indo.

(…)

Joesley: Voltando um pouco para o caso Eduardo [Cunha], na época… Ele: “Oh, briguei lá e tal pra… Oh, agora tem que ver se…” Enfim, tudo bem.

Aí ele… uns 15 dias antes dele perder o cargo, o Eduardo [Cunha], aí ele veio e deu uma cobradazinha em mim: “Oh, agora eu tenho que trabalhar, né. Não sei o quê e tal”. Digo: “Eduardo não é assim também… Para aí, não é assim não…”

Temer: [inaudível]

Joesley: Mas puta que o pariu…

Temer: Ah, deu no que deu…

Joesley: Deu no que deu… Aí ele, aí eu falei “Eduardo…”, uns 15 dias antes, “Eduardo, não é assim não. Peraí, pô”. “Não, pô”, ali ele [inaudível] “pô, cê tá com a Ferrari aí?”

 

Confissão de obstrução de investigação

E os processos… Eu tô meio enrolado aqui, né… No processo assim…

Temer: [inaudível]

Joesley: Isso, isso. É… é investigado. Eu não tenho ainda denúncia.

Temer: Não tem denúncia…

Joesley: Isso, não tem denúncia. Aqui, eu dei conta de um lado o juiz, dá uma segurada. Do outro lado o juiz substituto, que é o cara que ficou…

Temer: Tá segurando os dois?

Joesley: Tô segurando os dois.

Temer: Ótimo, ótimo…

Joesley: Ô… Consegui [inaudível]ador dentro da força-tarefa que tá…

Temer: [inaudível]

Joesley: Também tá me dando informação. E eu… lá que eu tô pra dar conta de trocar o procurador, que tá atrás de mim. [ruído/inaudível]Or… Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que, se vem um cara com raiva ou com não sei o quê….

Temer: Mas no que você tá…

Joesley: Bom, o que tá… o que tá me…

Temer: [inaudível]

Joesley: Não, na verdade tá bom, beleza. Agora, o principal que é um [ruído] E o que tá me, me instigando… eu consegui colar um no grupo. Agora tô tentando trocar…

Temer: O que tá [inaudível]

Joesley: Isso…

Temer: Uhum…

Joesley: Tô nessa aí… Então tá meio assim. Eles saiu de férias… Até essa semana eu fiquei preocupado, que saiu um burburinho de que iam trocar ele e não sei o quê. Eu fiquei com medo… Tudo bem! Eu tô só contando essa história pra dizer, assim, que eu tô me…

Temer: Se mexendo…

Joesley: Me defendendo aí

Temer: É…

Joesley: Tô me segurando tal, os dois lá tô mantendo, tudo bem.

 

Controle da mídia para abafar delações

Joesley: Menino disse assim: “ah, porque eu ouvi falar do Lúcio que não sei o quê… eu ouvi falar de… Bom, me rendeu um “Fantástico”, um “Jornal Nacional” e não sei o quê e uma confusão

Temer: Claro…

Joesley: Ainda bem que eu tenho boa relação com a imprensa e consegui rapidamente… Quietou. Foi um dia, dois, pronto, parou. Mas, puta merda, viu. É um…

Temer: Uma chateação

Joesley: Tudo bem. Sobre esse ponto aí, também estamos tocando.

Temer: [inaudível]

Joesley: [inaudível] To fazendo um [inaudível]quenta mil por mês.

Temer: Inaudível

Joesley: Pro rapaz e tal

Temer: [inaudível]

Joesley: [inaudível] e dá informação e tal, dá informação [inaudível/ruído] O brabo é… enfim, mas vamos lá.

Interferência no ministério da Fazenda

Joesley: Por exemplo, um dia eu falei com ele [Henrique Meirelles]. Já falei: “ministro [inaudível] no BC, como é que tá e tal”[inaudível]. E ele: “é, não, aquilo lá, o Ilan [Goldfajn] faz as coisas”. E o tira fora. E eu: “ué, não é você que manda nessa merda?”. “Não, o Ilan lá…”

Temer: É…[inaudível]

Joesley: Então, aí que eu quero… um dia eu falei assim: “Henrique, precisa mexer na Receita Federal, porra. O [Jorge] Rachid aí, tá há tanto tempo aí. Põe um outro cara aí, mais dinâmico, e tal. Um monte de coisa pra fazer”. “Ixi, não, não. Não posso mexer.” Ah, e… BNDES? “Não, BNDES é o Planejamento.” Mas foi você quem botou a Maria Sílvia [Bastos Marques] lá, porra.

Temer: É… é…

Joesley: É. “Não, não não, mas isso é do [Romero] Jucá… é outro…”

Temer: [inaudível] Na verdade, Maria Silvia fui eu [inaudível] me falou “é ótima” [inaudível] e eu conhecia a Maria Silvia [inaudível] Ligou, acertou e tal [inaudível]

Joesley: Queria ter alguma sintonia contigo pra, quando eu falar com ele, ele não jogar “Ah, não, o presidente não…”

Temer: Eu não deixo…[forçando a voz]

Joesley: “Não deixa, não quer”, coisa e tal. “Pô, Henrique, mas então você é um banana. Cê não manda, porra…”[risos]

(…)

Joesley: Isso… Aí eu: “Ei, pô, presidente do Cade, aí, tinha que botar…” “Ah, isso aí não…” Então, quer dizer, o seguinte, resumindo: Eu também não sei se é hora de mexer em uma coisa porque, dentro do contexto geral, eu também não quero importunar ele. Também, é… eu não… Se eu for mais — eu trabalhei com ele quatro anos — se eu for mais firme nele, dizendo “Pô, Henrique, cê tem que…”, eu acho, acho, que ele corresponde.

Michel Temer:  Ele [inaudível] maiores que determinaram a vinda dele pra mim [inaudível] foi você. [inaudível]

Joesley: Sim, sim

(…)

Joesley: O Henrique [Meirelles] ficou muito prestigiado. [inaudível] Peraí, o Henrique também não vai sair fazendo [inaudível] pô. [inaudível] Queria só. Não sei, se eu, te dar um toque em relação a isso e em relação a eu não sei o quanto eu vou mais engolir Henrique, o quanto eu deixo ele com essa pepineira dele aí e tal… Enfim…

Temer: [inaudível]

Joesley: Se ele jogar para cima de você, eu posso bancar e dizer assim: “não, não, não, qualquer coisa eu falo com ele…”

Temer: Claro! [inaudível]

Joesley: Pronto…

(…)

Joesley: Mas, quando eu digo de ir mais firme no Henrique é isso. É falar: “Henrique, porra, mas você vai levar? Cê vai fazer isso?”/“Vou.”/ “Ah, então, tá bom”. Que aí ele vem. Então pronto, é esse alinhamento só que eu queria ter…

Temer: Tá bom. Pode, pode fazer isso…

Joesley: E todos os, em termos mais amplos assim e genéricos, ter esse alinhamento para dizer o seguinte: “oh, quando eu falar um negócio, porra, pelo menos vai e consulta lá, vê”. Queria [inaudível] negócio do BNDES lá, daquela operação.

(…)

Temer: Mas isso aí do Meirelles é [inaudível]

Joesley: É isso que eu quero pra… E, se eles escorregar eu digo “oh…”

Temer: “Então, consulte-o.”

Joesley: Consulta lá…

Temer: “Consulte o Presidente.”

Joesley: É… “consulta e me fala desse negócio”

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